O governo federal ampliou de R$ 150 mil para R$ 200 mil o valor máximo dos veículos que podem ser financiados por motoristas de aplicativos e taxistas por meio do programa Move Aplicativos. A mudança também passa a contemplar veículos híbridos elétricos e foi adotada diante da baixa adesão à linha de crédito.
Até o momento, apenas 11% dos R$ 30 bilhões destinados ao programa haviam sido liberados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A baixa utilização dos recursos vinha sendo acompanhada pelo governo, que apontava dificuldades na concessão dos financiamentos.
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Com a alteração, a expectativa é ampliar de 63% para 88% a parcela do mercado de veículos que pode ser atendida pelo programa. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a elevação do limite deve aumentar a quantidade de modelos disponíveis e ampliar a concorrência entre as opções oferecidas aos profissionais.
CSB presente no lançamento do programa
Em maio, a Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) esteve no evento de lançamento da linha de crédito na Casa Portugal, em São Paulo, representada pelo Sindicato dos Taxistas (Sinditaxi).
A iniciativa integrou o programa Move Brasil Táxi e Aplicativos e busca atender tanto taxistas quanto motoristas de aplicativos, categorias que enfrentam altos custos para manutenção e renovação de veículos utilizados diariamente no trabalho.
Na ocasião, o presidente da setorial da Central dos Sindicatos Brasileiros no Ceará e do Sinditaxi-CE, Francisco Moura, afirmou que programa contribui para incentivar a modernização da frota, fortalecer a atividade econômica e ampliar oportunidades para motoristas que dependem do veículo como principal ferramenta de trabalho.
“Essa é uma reivindicação antiga da categoria. A CSB se dedicou muito para que esse momento acontecesse. As condições são excelentes, com financiamento para aquisição de veículos novos e sustentáveis. Uma grande conquista para a categoria”, declarou.
Mudança amplia opções de veículos
Além de elevar o teto de financiamento para R$ 200 mil, o governo alterou a definição utilizada para veículos híbridos. A nova redação permite incluir modelos que utilizem eletricidade combinada com outro combustível, como gasolina ou etanol.
A ampliação deve beneficiar também motoristas que atuam em categorias de maior padrão dentro das plataformas, como Uber Comfort, Uber Black e 99Plus, aumentando a quantidade de veículos que podem ser enquadrados nas regras do programa.
O veículo financiado precisa atender aos critérios estabelecidos pelo programa. Entre as exigências está a fabricação por uma das montadoras habilitadas no Mover, incluindo Volkswagen, Fiat, Renault, GM, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Toyota, BMW, BYD e GWM.
Além disso, como relembrado por Moura, o automóvel precisa ser classificado como sustentável e se enquadrar nas categorias previstas, como veículos flex, híbridos ou híbridos movidos a etanol.
Juros do programa ficam abaixo da média do mercado
O Conselho Monetário Nacional (CMN) fixou juros de 12,6% ao ano para homens e de 11,5% ao ano para mulheres.
A taxa média praticada no mercado para financiamento de automóveis chega a 28% ao ano. A diferença entre os juros do programa e os valores médios do mercado foi apontada como um dos fatores de resistência do setor bancário à iniciativa.
Desde o lançamento do programa, o governo vinha cobrando dos bancos públicos federais maior participação na concessão dos financiamentos.
Motoristas relatam dificuldades para conseguir crédito
Apesar das condições previstas pelo programa, motoristas de aplicativos e de plataformas como Uber e 99 têm relatado dificuldades para obter o financiamento.
Entre as reclamações estão negativas na análise de crédito e redução da pontuação no Serasa após consultas realizadas em diferentes instituições financeiras.
A baixa liberação dos recursos levou o governo a revisar as regras do programa, especialmente o limite de preço dos veículos e os critérios relacionados aos modelos híbridos.
A medida provisória que criou o Move Aplicativos foi publicada em junho e tem validade até 15 de setembro. A ampliação do teto para R$ 200 mil deve, portanto, aumentar o número de veículos enquadrados e facilitar o acesso dos profissionais à linha de crédito.
(Com informações de Folha de S.Paulo)
(Foto: Reprodução/Magnific)







