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Operação identificou falta banheiros, água potável, locais para refeições e equipamentos de proteção, além de trabalhadores sem registro

Fiscalização encontra 800 trabalhadores em condições degradantes em canaviais de Pernambuco

Uma operação da Auditoria Fiscal do Trabalho identificou condições degradantes de trabalho em plantações de cana-de-açúcar da Zona da Mata Norte e Sul de Pernambuco. A fiscalização ocorreu após denúncias apresentadas por mais de 800 cortadores de cana e apontou problemas relacionados à estrutura oferecida aos trabalhadores, à segurança e à formalização dos contratos.

Realizada de 21 a 25 de setembro de 2026, durante o início da safra da cana-de-açúcar, a operação vistoriou aproximadamente 70 frentes de trabalho distribuídas por mais de 20 municípios pernambucanos.

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De acordo com o auditor fiscal do Trabalho e coordenador da operação, Luciano Simões, foram encontrados trabalhadores sem condições adequadas para realizar as atividades de corte. Houve relatos de acidentes provocados pelo uso do facão sem a proteção necessária.

Falta de equipamentos de proteção expõe trabalhadores

A fiscalização identificou a ausência de equipamentos de proteção individual utilizados durante o corte da cana. Pelo menos 230 trabalhadores estavam sem proteção facial para evitar lesões, deixando rosto e olhos expostos durante a atividade.

Os trabalhadores também relataram não receber luvas e protetor solar. Segundo a Auditoria Fiscal do Trabalho, foram constatadas ainda situações relacionadas à falta de água potável para consumo, banheiros e espaços apropriados para alimentação.

Em alguns casos, os próprios trabalhadores precisavam levar água de casa para garantir o consumo durante a jornada.

As condições encontradas chamaram atenção para os riscos enfrentados pelos cortadores durante uma atividade que envolve o uso de ferramentas capazes de provocar ferimentos.

Fiscalização encontra trabalhadores sem registro

Além das condições de segurança e infraestrutura, a operação identificou possíveis irregularidades na formalização dos contratos de trabalho.

Dos trabalhadores fiscalizados, 437 estavam formalmente registrados. Pelo menos 166 não possuíam registro na carteira de trabalho, enquanto a situação contratual de outros 204 trabalhadores ainda estava sendo investigada.

A Auditoria Fiscal do Trabalho também apura uma possível fraude relacionada às assinaturas das carteiras de trabalho.

“Existe uma irregularidade que estamos apurando, que é essa questão da fraude, que são as carteiras assinadas por empreiteiros que não têm condições de assinar essa carteira. E, para mascarar a assinatura dessa carteira, eles registram, mas depois, quando acaba esse período de corte [da cana], os trabalhadores são demitidos e não recebem nada”, afirmou o coordenador da operação, Luciano Simões.

Pagamentos ainda serão analisados

Durante a operação, os trabalhadores não apresentaram reclamações relacionadas a atrasos no pagamento dos salários. A questão, porém, ainda será analisada pela Auditoria Fiscal do Trabalho, que mantém as investigações em andamento.

A fiscalização rural ocorre durante todo o ano, segundo o auditor responsável. A operação realizada em setembro foi intensificada devido ao início do período de corte da cana-de-açúcar.

Empregadores foram notificados

Os empregadores identificados com irregularidades receberam notificações para que regularizem as condições de trabalho e apresentem à fiscalização os documentos solicitados.

Caso não comprovem a correção das irregularidades, poderão ser lavrados autos de infração.

A continuidade da investigação deverá esclarecer também as suspeitas relacionadas aos registros nas carteiras de trabalho e às condições contratuais dos trabalhadores encontrados durante a operação.

Como denunciar condições irregulares de trabalho

Trabalhadores que identificarem situações irregulares podem realizar denúncias de forma anônima pelo sistema do Ministério do Trabalho e Emprego.

O canal permite comunicar situações relacionadas a condições de trabalho análogas à escravidão, trabalho infantil e desigualdade salarial entre mulheres e homens.

A denúncia pode ser feita pelo site do Ministério do Trabalho e Emprego, por meio do sistema oficial de denúncias.

(Com informações de g1)

(Foto: Secretaria de Inspeção do Trabalho/MTE)

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