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Retomada do trabalho presencial aumenta o peso da proximidade com os centros de emprego e afeta cidades

Enfraquecimento do home office reduz força de cidades do interior; 52% mudariam de emprego por flexibilidade

O avanço do retorno ao trabalho presencial e dos modelos híbridos já começa a alterar o mercado imobiliário de São Paulo. Dados do Colégio Notarial do Brasil (CNB/SP) mostram que a capital paulista registrou, em 2025, 90.402 escrituras de compra e venda de imóveis, volume 49,6% superior ao registrado em 2020.

O movimento contrasta com o desempenho de cidades que ganharam destaque durante a expansão do home office. A possibilidade de trabalhar à distância levou muitas famílias a deixar a capital em busca de imóveis maiores, mais tranquilidade e uma rotina distante dos grandes centros.

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Com a retomada dos escritórios, porém, a localização voltou a ter peso nas decisões de moradia. Entre 2021 e 2025, o número de escrituras caiu 57% em Itupeva, 41% em Cotia, 36% em Indaiatuba e 31% em Atibaia.

Segundo Andrey Guimarães Duarte, vice-presidente do CNB/SP, a redução das escrituras não significa necessariamente uma saída em massa de moradores dessas cidades. Para ele, os dados indicam principalmente uma diminuição da intensidade das transações imobiliárias depois do crescimento excepcional registrado durante a pandemia.

Retorno ao escritório aumenta impacto sobre a rotina dos trabalhadores

A mudança no mercado imobiliário acompanha uma transformação nas relações de trabalho. Com empresas exigindo mais dias de presença física, trabalhadores que haviam se mudado para localidades mais distantes passaram a enfrentar novamente deslocamentos maiores, gastos com transporte, pedágios e redução do tempo disponível fora do trabalho.

Uma pesquisa da WeWork em parceria com a Offerwise aponta que 63% dos profissionais trabalham presencialmente e que, para 79% deles, essa condição é determinada pela empresa. O levantamento também indica que 65% dos trabalhadores consideram o deslocamento a principal desvantagem do trabalho presencial, enquanto 53% relatam aumento das despesas relacionadas à ida ao escritório.

O levantamento mostra ainda diferenças na frequência presencial conforme o setor. Profissionais de construção civil e engenharia trabalham, em média, 4,8 dias por semana nos escritórios. Na área de serviços, a média é de 3,3 dias.

Esse cenário evidencia que a definição do local de trabalho também pode interferir diretamente na organização da vida pessoal, nas despesas e na escolha de onde morar.

Cidades que perderam escrituras após o avanço do home office

As maiores retrações entre 2021 e 2025 ocorreram em municípios associados à expansão dos condomínios e à procura por moradias durante a pandemia:

• Itupeva: queda de 57%;
• Cotia: queda de 41%;
• Indaiatuba: queda de 36%;
• São João da Boa Vista: queda de 32%;
• Atibaia: queda de 31%;
• Peruíbe: queda de 30%;
• Itu: queda de 28%;
• Itatiba: queda de 28%.

O levantamento aponta ainda que o interior turístico praticamente devolveu os ganhos obtidos durante o auge do trabalho remoto, encerrando 2025 com volume de escrituras equivalente a 99,3% do registrado antes da pandemia. O litoral permaneceu cerca de 20% acima do patamar de 2020, mas sem crescimento relevante desde 2023.

Nem todos os municípios seguiram a mesma trajetória. Taboão da Serra apresentou alta de 73% nas escrituras entre 2021 e 2025, seguida por Bauru, com 42%, Barueri, com 26%, Paulínia, com 19%, e Limeira, com 14%.

Flexibilidade no trabalho influencia decisões dos profissionais

De acordo com a pesquisa da Robert Half, consultoria de recursos humanos, 68% das organizações apontam o fortalecimento da cultura corporativa como motivo para ampliar a presença nos escritórios. A melhora na comunicação e na colaboração é citada por 63%, enquanto 59% mencionam integração e supervisão. O aumento da produtividade aparece para 50% dos entrevistados.

Ao mesmo tempo, 54% dos gestores avaliam que uma maior exigência de presencialidade pode elevar o risco de perda de talentos. Do lado dos trabalhadores, 52% afirmam que considerariam mudar de emprego caso houvesse redução da flexibilidade.

(Com informações de g1)

(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)

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