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Dados do IBGE mostram desigualdade nos rendimentos, menor taxa de ocupação e maior incidência de pobreza entre PCDs

Pessoas com deficiência ganham quase 30% menos e enfrentam maior pobreza e dificuldade de acesso ao trabalho

As pessoas com deficiência enfrentam maiores dificuldades para acessar o mercado de trabalho e recebem rendimentos significativamente menores do que trabalhadores sem deficiência. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2022, o rendimento médio mensal do trabalho das pessoas com deficiência foi de R$ 2.053, enquanto chegou a R$ 2.890 para aquelas sem deficiência.

A diferença representa uma remuneração aproximadamente 29% menor para os trabalhadores com deficiência.

As informações fazem parte do informativo “Pessoas com Deficiência e as Desigualdades Sociais no Brasil”, divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (18). O levantamento aponta que 14,4 milhões de pessoas tinham alguma deficiência em 2022, correspondendo a 7,3% da população com 2 anos ou mais.

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Pessoas com deficiência têm menor acesso ao mercado de trabalho

A desigualdade aparece também na participação no mercado de trabalho. Em 2022, a taxa de ocupação das pessoas com deficiência em idade de trabalhar era de 29%, enquanto o indicador chegava a 55,8% para pessoas sem deficiência.

Na prática, isso significa uma diferença de 26,8 pontos percentuais na proporção de pessoas que efetivamente estavam ocupadas.

Segundo Luanda Chaves Botelho, responsável pela Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE, as dificuldades não se limitam ao acesso a uma vaga.

“Temos uma sequência de obstáculos que vão se colocando [para as pessoas com deficiência]. Além da barreira de conseguirem uma ocupação, essas ocupações são piores, com menor contribuição à Previdência e menos direitos de proteção social”, afirma.

O levantamento também aponta que as pessoas com deficiência estão mais concentradas em atividades que apresentam rendimentos médios menores, como serviços domésticos, agropecuária e alojamento e alimentação.

Diferença salarial aparece em todos os setores analisados

A desigualdade de renda é observada nos diferentes grupos de atividade econômica considerados pelo IBGE.

Na indústria, por exemplo, o rendimento médio mensal das pessoas com deficiência foi de R$ 1.859, contra R$ 2.630 para pessoas sem deficiência.

Já no grupo que reúne informação, atividades financeiras e outras atividades profissionais, a média foi de R$ 2.754 para trabalhadores com deficiência e de R$ 4.008 para aqueles sem deficiência.

A diferença também aparece na administração pública, educação, saúde e serviços sociais, com rendimento médio de R$ 3.223 para pessoas com deficiência e R$ 4.146 para pessoas sem deficiência.

Confira os rendimentos médios apresentados pelo IBGE:

Agropecuária: R$ 1.353 para pessoas com deficiência e R$ 1.876 para pessoas sem deficiência.
Indústria: R$ 1.859 para pessoas com deficiência e R$ 2.630 para pessoas sem deficiência.
Construção: R$ 1.667 para pessoas com deficiência e R$ 2.145 para pessoas sem deficiência.
Comércio e reparação: R$ 1.894 para pessoas com deficiência e R$ 2.488 para pessoas sem deficiência.
Administração pública, educação, saúde e serviços sociais: R$ 3.223 para pessoas com deficiência e R$ 4.146 para pessoas sem deficiência.
• Transporte, armazenagem e correio: R$ 2.214 para pessoas com deficiência e R$ 2.615 para pessoas sem deficiência.
Alojamento e alimentação: R$ 1.495 para pessoas com deficiência e R$ 1.967 para pessoas sem deficiência.
Informação, atividades financeiras e outras atividades profissionais: R$ 2.754 para pessoas com deficiência e R$ 4.008 para pessoas sem deficiência.
Serviços domésticos: R$ 958 para pessoas com deficiência e R$ 1.070 para pessoas sem deficiência.
Outros serviços: R$ 1.639 para pessoas com deficiência e R$ 2.183 para pessoas sem deficiência.
Média geral: R$ 2.053 para pessoas com deficiência e R$ 2.890 para pessoas sem deficiência.

Os dados indicam que a desigualdade de remuneração acompanha a menor inserção no mercado de trabalho. Nas famílias com pessoas com deficiência, os rendimentos provenientes do trabalho também representam uma parcela menor do orçamento.

“Quando olhamos para as famílias que têm pessoas com deficiência, o nível de ocupação tende a ser menor. Essa população enfrenta mais dificuldades para estar no mercado de trabalho e, portanto, para obter rendimentos”, explica o pesquisador do IBGE, André Simões.

Seis em cada dez crianças com deficiência estão abaixo da linha da pobreza

A desigualdade também se manifesta na situação econômica das famílias. O IBGE identificou uma incidência maior de pobreza entre pessoas com deficiência em todas as faixas etárias analisadas.

O impacto é especialmente elevado na infância. 60,9% das crianças de 2 a 14 anos com deficiência estavam abaixo da linha da pobreza em 2022. Para crianças sem deficiência na mesma faixa etária, o percentual era de 52,5%.

O instituto considera abaixo da linha da pobreza as pessoas com rendimento domiciliar per capita inferior a R$ 770 mensais.

A diferença permanece nas demais idades:

• 15 a 29 anos: 46,1% das pessoas com deficiência estavam abaixo da linha da pobreza, contra 38,5% das pessoas sem deficiência;
• 30 a 59 anos: 40,4% contra 30%;
• 60 anos ou mais: 20,7% contra 17,5%.

Segundo o IBGE, a menor incidência de pobreza na faixa de 60 anos ou mais está relacionada à maior presença de aposentadorias, pensões e benefícios.

No caso de crianças e adolescentes com deficiência que vivem abaixo da linha da pobreza, 53,5% moravam com a mãe ou madrasta e o pai ou padrasto. Já 35,1% viviam apenas com a mãe ou madrasta.

Analfabetismo é 12 vezes maior entre jovens com deficiência

As desigualdades também aparecem no acesso à educação. Em 2022, a taxa de analfabetismo entre pessoas com deficiência de 15 a 29 anos era de 12,2%, enquanto o índice entre pessoas sem deficiência era de 1%.

A frequência escolar também apresenta diferenças.

Na faixa de 6 a 14 anos, 98,4% das pessoas sem deficiência frequentavam a escola, diante de 92,6% das pessoas com deficiência.

Já entre adolescentes de 15 a 17 anos, a frequência escolar era de 85,4% para pessoas sem deficiência e de 79,5% para aquelas com deficiência.

O IBGE aponta ainda diferenças na disponibilidade de recursos de acessibilidade nas escolas. Em 2022, 78,5% das escolas de educação básica tinham pelo menos um dos recursos avaliados.

Os itens considerados foram:
• banheiros acessíveis;
• salas de recursos multifuncionais;
• profissionais de apoio.

Os banheiros acessíveis estavam presentes em 57% das escolas, enquanto 30% contavam com salas de recursos multifuncionais e 26,2% tinham profissionais de apoio.

Deslocamento até o trabalho também é mais demorado

As dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência não terminam no acesso à educação ou ao emprego. O deslocamento também representa um desafio.

Segundo o IBGE, as pessoas com deficiência levavam, em média, 37 minutos para se deslocar entre a residência e o trabalho, considerando o tempo dentro do transporte. Para pessoas sem deficiência, a média era de 33 minutos.

Ônibus e BRT eram utilizados por 24,7% das pessoas com deficiência, seguidos pelos deslocamentos a pé, com 23,7%, e por automóveis, táxis ou similares, com 22,8%.

Para Luanda Chaves Botelho, o tempo registrado pela pesquisa pode não representar toda a dificuldade enfrentada no trajeto, já que o levantamento considera o período passado dentro do transporte. O acesso ao veículo e o embarque podem demandar tempo adicional.

(Com informações de g1)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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