Pesquisa da organização Justa identificou diferenças de remuneração entre magistrados homens e mulheres, inclusive em casos de profissionais que ocupam o mesmo cargo. Levantamento também aponta concentração de pagamentos mais elevados entre homens.
Juízas e desembargadoras recebem, em média, menos do que seus colegas homens em 86% dos Tribunais de Justiça analisados no país. A conclusão é de uma pesquisa realizada pela organização Justa, que examinou mais de 300 mil registros de pagamentos de integrantes ativos da magistratura estadual.
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Os dados foram coletados nos portais de transparência de 25 dos 27 Tribunais de Justiça brasileiros e abrangem o período de janeiro de 2024 a dezembro de 2025. A diferença salarial aparece inclusive quando são comparados profissionais que ocupam a mesma função.
Diferença de remuneração entre homens e mulheres
Um dos principais resultados do levantamento é a desigualdade nos valores recebidos por magistrados e magistradas. Entre os desembargadores, a maior diferença média anual foi registrada em Rondônia: os homens receberam, em média, R$ 56,8 mil a mais do que as mulheres.
No primeiro grau, o maior contraste identificado pela pesquisa ocorreu no Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A mediana anual do rendimento líquido das juízas ficou R$ 18,1 mil abaixo da registrada entre os juízes que exercem a mesma função.
Os dados também mostram uma concentração dos pagamentos extraordinários entre homens. Nos dois anos analisados, foram identificados 14 pagamentos mensais acima de R$ 1 milhão, todos destinados a magistrados homens.
Considerando pagamentos mensais entre R$ 500 mil e R$ 1,7 milhão, foram encontrados 83 registros ao longo dos 24 meses. Desse total, 82% tiveram homens como beneficiários.
Desigualdade também aparece nos cargos de poder
Para a diretora-executiva da Justa, Luciana Zaffalon, a diferença de remuneração está relacionada à distribuição de poder dentro dos tribunais. “A distribuição de recursos acompanha a distribuição de poder”, afirmou.
Segundo ela, cargos de confiança e posições de cúpula ocupados por homens podem resultar em pagamentos adicionais e ajudam a explicar parte da diferença identificada no levantamento.
Atualmente, quatro dos 27 Tribunais de Justiça estaduais são presididos por mulheres: Espírito Santo, Paraná, Sergipe e Tocantins.
A pesquisa não incluiu Santa Catarina, que não autorizou a exportação estruturada dos dados. O Amapá também ficou de fora porque ainda não havia disponibilizado a folha de pagamentos de dezembro de 2025 quando o levantamento foi encerrado, em junho de 2026.
Política de promoção de mulheres mostra avanço
O período analisado coincide com os dois primeiros anos de uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que estabeleceu listas de promoção por merecimento exclusivas para mulheres, alternadas com as listas tradicionais.
A medida estabeleceu uma meta de participação de 40% a 60% de desembargadoras em cada tribunal.
Segundo os dados apresentados pela Justa, a quantidade de desembargadoras aumentou 14% entre janeiro de 2024 e dezembro de 2025. No mesmo período, o crescimento entre juízas de primeiro grau foi de 5%, enquanto o número de desembargadores homens avançou 3%.
Para Zaffalon, os números indicam que a política contribuiu para ampliar a presença feminina no topo da carreira da magistratura. A organização defende a adoção de medidas semelhantes para o ingresso e a progressão na primeira instância.
Presença feminina nos tribunais superiores
De acordo com a pesquisa, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem atualmente 18% de mulheres entre seus integrantes.
Para a diretora-executiva da Justa, futuras escolhas para vagas nos tribunais superiores representam uma oportunidade de ampliar a presença feminina nesses espaços.
“Hoje o STJ tem 18% de mulheres, ou seja, há uma grande oportunidade para reduzir a desigualdade. E uma das vagas é a do Marcos Buzzi, que foi afastado justamente por assédio e importunação sexual.”, relembrou Zaffalon.
(Com informações de Folha de S.Paulo)
(Foto: Reprodução/Magnific)







