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Priorizando luta pela redução da jornada e fim da 6×1, CSB adia 4º Congresso para 2027

A Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) oficializou, neste sábado (16), o adiamento para 2027 de seu 4º Congresso Nacional – inicialmente previsto para ocorrer neste ano – para priorizar a mobilização em defesa da redução da jornada de trabalho, pelo fim da escala 6×1 e pela regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). 

A decisão foi aprovada por unanimidade pelas centenas de dirigentes sindicais de todo o país presentes no Encontro Nacional realizado em São Paulo, que teve início na última quinta-feira (14).

Segundo o presidente da CSB, Antonio Neto, o adiamento ocorre em um momento em que o movimento sindical busca ampliar a mobilização nacional em torno de mudanças nas relações de trabalho e da valorização da qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.

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Antonio Neto abriu o dia totalmente dedicado a deliberações da direção lendo a Resolução Política do Encontro, que teve como princípio reafirmar o compromisso da central com a democracia, a justiça social, a soberania nacional e a construção de um novo ciclo histórico de desenvolvimento para o Brasil

“A CSB compreende que a reconstrução nacional exige mais do que estabilidade institucional. Exige direção histórica. Exige coragem política. Exige a retomada de um Projeto Nacional de Desenvolvimento inspirado nas grandes tradições do trabalhismo brasileiro e na compreensão de que não existe democracia sólida sem justiça social, nem justiça social duradoura sem soberania nacional”, diz o documento apresentado pelo presidente.

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O texto também destaca as eleições de 2026 como estratégicas para o futuro do país e reafirma o compromisso da central com pautas como a valorização do salário mínimo e o fortalecimento contínuo da negociação coletiva, além de ressaltar a importância de lutar pelo fim da escala 6×1, pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial e pela regulamentação da Convenção 151.

“A CSB afirma que duas grandes batalhas estratégicas se apresentam para a classe trabalhadora brasileira no próximo período. A primeira é a luta pela redução da jornada de trabalho, pelo fim da escala 6×1 e pela construção de um novo paradigma civilizatório do trabalho, capaz de devolver ao trabalhador brasileiro o direito ao descanso, à convivência familiar, ao lazer, à formação e à vida.

A segunda é a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho e a garantia plena do direito à negociação coletiva aos servidores públicos brasileiros, reconhecendo que servidor público também é trabalhador e deve possuir instrumentos democráticos de negociação permanente com o Estado.”

A central sindical reafirmou a defesa da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), da unicidade sindical e do fortalecimento das entidades representativas dos trabalhadores. Segundo o texto, sindicatos fortes são fundamentais para ampliar a capacidade de negociação coletiva e garantir melhores condições de trabalho.

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A resolução também ressalta o compromisso com o combate à discriminação no ambiente de trabalho e a defesa da igualdade de oportunidades para mulheres, pessoas pretas, pessoas com deficiência e população LGBTQIA+.

Durante a deliberação da resolução, dirigentes sindicais apresentaram sugestões voltadas à ampliação da proteção social e trabalhista, entre eles o fortalecimento da OIT, da Justiça do Trabalho e das políticas de saúde e segurança no trabalho, além da valorização da participação de idosos no movimento sindical e do fortalecimento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 

Também foi sugerida a inclusão de pautas relacionadas à autodeterminação dos povos, ao combate à violência contra a mulher e ao feminicídio, à defesa da pesca e de políticas sustentáveis de preservação ambiental, além da preocupação com o avanço da pejotização nas relações de trabalho.

O último dia do Encontro contou ainda com a presença especial da ex-ministra e deputada federal Marina Silva e do deputado federal Túlio Gadêlha, pré-candidato ao Senado, que reafirmaram compromisso com as pautas em defesa dos trabalhadores. Marina ressaltou a relação da CSB com o trabalhismo e o papel dessa corrente política historicamente nas conquistas para a classe trabalhadora.

“O trabalhismo olha e deve olhar sempre para as relações do Estado com os trabalhadores, os empresários e os trabalhadores. Essa atualização tem que ser feita pensando na nossa juventude e nos trabalhadores. Muitos dos nossos filhos podem estar sendo formados para profissões que não existirão mais, porque estamos sendo substituídos pela IA, pelas máquinas. Como vamos nos preparar para esse novo mundo do trabalho?”, falou.

Após uma plenária aberta para os dirigentes, que trouxeram questões de suas categorias e regiões, o Encontro foi finalizado com uma confraternização, selando as discussões e relações fortalecidas durantes os três dias de evento.

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