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Trabalhador cansado dorme durante trajeto no ônibus

Escala 6×1: jornadas chegam a 64 horas semanais entre trabalhadores de baixa renda

Levantamento com 1,3 milhão de trabalhadores aponta que cargas horárias mais extensas estão concentradas entre profissionais de baixa renda

De acordo com o estudo, trabalhadores da classe E, com rendimento mensal de até um salário mínimo, são os mais expostos a cargas horárias elevadas. Entre os empregados que atuam no regime 6×1, 38% cumprem jornadas entre 54 e 64 horas semanais, faixa considerada de excesso elevado de trabalho. Entre os profissionais da classe A, esse percentual é significativamente menor, alcançando apenas 8%.

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Os dados indicam uma relação direta entre remuneração e tempo de trabalho. Quanto menor a renda, maior tende a ser a carga horária enfrentada pelos trabalhadores.

O mesmo padrão foi identificado entre aqueles que atuam na escala 5×2. Nas faixas de menor renda, uma parcela expressiva dos profissionais ultrapassa o limite semanal de 44 horas previsto na legislação trabalhista. Já entre os trabalhadores de renda mais alta, a incidência de jornadas prolongadas é consideravelmente menor.

A pesquisa classificou como “excesso moderado” as jornadas entre 44 e 54 horas semanais e como “excesso elevado” aquelas que variam de 54 a 64 horas.

O que diz a legislação trabalhista

Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece jornada máxima de 44 horas semanais. A legislação permite a realização de até duas horas extras por dia, desde que sejam remuneradas com adicional ou compensadas por meio de banco de horas.

Quando a carga horária ultrapassa esses limites de forma recorrente, a situação exige respaldo em acordos coletivos e o cumprimento de exigências legais específicas. O descumprimento dessas regras pode gerar passivos trabalhistas e questionamentos judiciais.

Trabalhadores em funções operacionais são os mais afetados

Profissionais com menor escolaridade e qualificação formal estão mais presentes em atividades operacionais e de serviços, segmentos tradicionalmente associados à escala 6×1 e a remunerações mais baixas, atestou o levantamento.

Por outro lado, trabalhadores em cargos de gestão ou funções que não estão submetidas ao controle convencional de jornada podem não aparecer com a mesma intensidade nos registros analisados, o que ajuda a explicar parte da diferença observada entre as faixas de renda.

Além dos impactos sobre os trabalhadores, o excesso de horas trabalhadas pode afetar diretamente os resultados das empresas. Indicadores como aumento do absenteísmo, maior rotatividade de funcionários e redução do engajamento costumam estar associados a desequilíbrios na distribuição da carga de trabalho.

PEC do fim da escala 6×1

A proposta em tramitação no Congresso prevê a redução da jornada máxima semanal para 40 horas e estabelece a necessidade de pelo menos dois dias de descanso por semana. Mesmo com a mudança, permaneceria a possibilidade de realização de horas extras dentro dos limites legais já existentes.

Enquanto a matéria aguarda análise no Senado, os números evidenciam desigualdade na distribuição das jornadas de trabalho no país, que afeta de forma mais intensa os trabalhadores de menor renda.

(Com informações de O Globo)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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