secretario-geral-oit-alerta-desafios-ia-plataformas
Segundo dia de atividades da 114ª Conferência Internacional do Trabalho da OIT

Secretário-geral da OIT alerta para desafios da IA, plataformas e transições no mundo do trabalho

A delegação da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) acompanhou, nesta terça-feira (02), o segundo dia de atividades da 114ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, marcado pela participação do diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho, Gilbert Houngbo, na reunião geral dos trabalhadores.

Durante o encontro, Houngbo chamou atenção para a difícil conjuntura internacional enfrentada pelos direitos trabalhistas e reforçou a razão histórica da existência da OIT: promover justiça social, defender o trabalho decente e construir parâmetros internacionais capazes de proteger os trabalhadores diante das transformações econômicas, tecnológicas e produtivas.

LEIA:

A reunião destacou que a inteligência artificial não inaugura todos os problemas do mundo do trabalho, mas amplia lacunas já mapeadas, especialmente em temas como informalidade, gestão algorítmica, qualificação profissional, proteção social e concentração dos ganhos de produtividade. Foi defendida a necessidade de modernizar o arcabouço normativo internacional, incorporando as novas dimensões criadas pela IA e pelas transformações digitais.

A mensagem apresentada foi a de que a tecnologia deve estar a serviço do desenvolvimento humano e do trabalho decente, com debate sobre a preparação dos trabalhadores para a transição tecnológica. Como sintetizado durante a reunião, “não será a IA que irá ocupar os trabalhos, mas os trabalhadores que saberão trabalhar com IA”.

Delegação da CSB acompanha atividades da 114ª Conferência Internacional do Trabalho

Também foram debatidas as transições ecológica e energética, que exigem políticas públicas, qualificação profissional, proteção social e participação sindical para evitar que mudanças necessárias do ponto de vista ambiental resultem em desemprego, precarização ou exclusão de trabalhadores e comunidades produtivas.

A ampliação da produtividade das grandes multinacionais, impulsionada pela tecnologia, também esteve em discussão, com argumentos de que os ganhos gerados pela automação, pela digitalização e pela inteligência artificial precisam ser distribuídos de forma justa, seja por meio de melhores salários, redução de jornada, qualificação, proteção social ou fortalecimento da negociação coletiva.

O debate também abordou a situação das pequenas empresas, responsáveis por grande parte da geração de empregos, mas que enfrentam maiores dificuldades para acessar crédito, tecnologia e instrumentos de competitividade. Sem apoio adequado, esses empreendimentos perdem capacidade de concorrer com grandes grupos econômicos e de manter empregos de qualidade.

Pequenos produtores e trabalhadores sem ferramentas efetivas de sindicalização, pertencentes a economia informal, enfrentam aumento da pobreza, perda de competitividade e maior vulnerabilidade social. Para esses trabalhadores, o cenário reforça a necessidade de fortalecer entidades sindicais e ampliar mecanismos de organização, representação e proteção.

Sobre a economia de plataformas, foi posta a preocupação de construir um equilíbrio entre flexibilidade e proteção social, garantindo que os novos modelos de trabalho não sejam utilizados para retirar direitos, reduzir responsabilidades empresariais ou fragilizar a seguridade social.

Compartilhe: