O trabalho remoto trouxe mais flexibilidade para a rotina profissional e mudou a relação entre vida profissional e ambiente doméstico, mas não eliminou as responsabilidades do empregado durante o expediente. Especialistas explicam quais comportamentos podem gerar advertência, punição ou até demissão.
Trabalhar de pijama, participar de reuniões em casa, interromper uma atividade para colocar roupa na máquina ou resolver rapidamente uma tarefa pessoal passaram a fazer parte da rotina de muitos trabalhadores.
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Mas a liberdade proporcionada pelo trabalho remoto não significa que as regras profissionais deixem de existir. Durante o expediente, o trabalhador continua sujeito às normas da empresa, aos compromissos assumidos e às expectativas relacionadas às suas atividades.
O que muda no trabalho remoto?
Para trabalhadores contratados pelo regime da CLT, o fato de o serviço ser realizado dentro de casa não elimina as obrigações profissionais. Durante o expediente, a residência passa a ser o local onde o trabalho é desempenhado, e regras de conduta e políticas internas continuam aplicáveis.
Segundo a advogada trabalhista Gabriela Dell Agnolo de Carvalho, a empresa pode estabelecer regras de comportamento para quem trabalha de casa.
“A pessoa está trabalhando. O fato de estar em casa não muda essa condição. É perfeitamente possível o estabelecimento de regras de comportamento, mesmo para o empregado que está em formato de trabalho remoto”, afirma.
Posso trabalhar de pijama ou sem camisa no home office?
Não existe uma regra geral na CLT que proíba o trabalhador de usar pijama, trabalhar sem camisa ou exercer suas atividades em outro ambiente fora de casa.
A questão principal está relacionada ao desempenho profissional. Para a consultora de RH e carreiras, Karla Lemos, o mais importante é verificar se o comportamento interfere na qualidade das entregas, nos prazos ou na atuação esperada do trabalhador.
“O que realmente importa é a entrega. Se a pessoa consegue realizar um trabalho relevante, dentro do prazo e de acordo com o que se espera dela, não há problema na roupa que está usando ou no ambiente em que está trabalhando”, explica.
Assim, uma roupa mais informal, por si só, não necessariamente representa uma infração. A situação pode ser diferente quando a aparência ou o ambiente escolhido prejudicam reuniões, atendimentos ou a imagem profissional exigida naquele contexto.
Em uma videoconferência com clientes, por exemplo, a adequação da apresentação pode ser avaliada de maneira diferente de uma atividade que não envolve contato por vídeo.
Fazer tarefas domésticas durante o expediente pode dar problema?
Pequenas tarefas domésticas podem fazer parte da rotina de quem trabalha em casa. Colocar roupas na máquina ou resolver rapidamente alguma questão doméstica não significa, automaticamente, falta de comprometimento.
O limite aparece quando essas atividades começam a interferir na disponibilidade ou no desempenho profissional.
A flexibilidade do home office não elimina compromissos. Por isso, atrasar reuniões, ficar indisponível por períodos prolongados, deixar mensagens sem resposta ou participar de encontros sem estar preparado podem ser vistos negativamente pela empresa.
O ponto central, portanto, não é simplesmente estar dentro de casa, mas conseguir cumprir as responsabilidades profissionais durante a jornada.
Beber álcool durante o home office pode gerar demissão?
O consumo de bebida alcoólica durante o expediente pode resultar em medidas disciplinares, dependendo das circunstâncias do caso. Em determinadas situações, o consumo de álcool pode levar a punições mais severas e até contribuir para uma demissão por justa causa.
Existe, porém, uma questão importante relacionada ao alcoolismo. O Tribunal Superior do Trabalho possui entendimento de que o alcoolismo pode ser reconhecido como doença, situação que exige uma análise jurídica diferente de um simples descumprimento disciplinar.
E fumar durante o expediente?
O cigarro pode receber tratamento diferente do consumo de álcool. Dependendo das normas internas e das circunstâncias, fumar durante uma atividade profissional pode ser considerado inadequado ou representar descumprimento de uma regra corporativa.
As situações envolvendo cigarro tendem a resultar em medidas mais brandas, como advertências.
A diferença está principalmente no potencial de interferência sobre a capacidade de trabalho. Enquanto o consumo de álcool pode comprometer diretamente o desempenho profissional, o ato de fumar costuma ser analisado como uma questão relacionada às regras de conduta estabelecidas pela organização.
Empresa pode estabelecer regras para o home office?
Sim. As empresas podem criar políticas internas de conduta que também sejam aplicadas aos trabalhadores em regime remoto.
Essas regras podem estabelecer orientações sobre participação em reuniões, utilização da imagem corporativa, vestimenta durante videoconferências, consumo de álcool durante a jornada e relacionamento com clientes e colegas.
Por isso, além de considerar o que está previsto de maneira geral nas normas trabalhistas, o trabalhador deve conhecer as políticas internas da empresa.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Magnific)







