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Pesquisa mostra que empresas estão ampliando etapas de validação diante do aumento de currículos e respostas produzidos com IA

Uso de IA em candidaturas prolonga processos seletivos em 74% das empresas

A inteligência artificial já faz parte da preparação de muitos candidatos a vagas de emprego. Ferramentas generativas podem ajudar a organizar currículos, escrever cartas de apresentação e simular entrevistas. Porém, quando a tecnologia é usada para criar experiências ou competências que não correspondem à realidade, o processo seletivo pode ficar mais longo.

Uma pesquisa da Robert Half aponta que 74% dos gestores de contratação afirmam que o aumento de conteúdos produzidos com inteligência artificial elevou o tempo necessário para preencher vagas. A razão está na necessidade de conferir se as informações apresentadas pelos candidatos são verdadeiras e compatíveis com suas experiências.

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IA aumenta preocupação com currículos exagerados

A tecnologia pode ser útil para melhorar a apresentação de uma trajetória profissional. O problema surge quando a ferramenta deixa de apenas organizar as informações e passa a modificar o conteúdo apresentado pelo candidato.

Segundo o levantamento da Robert Half, 66% dos gestores de contratação disseram que a inteligência artificial generativa contribuiu para o aumento da presença de currículos falsos ou exagerados.

Na prática, uma experiência simples pode ser descrita como se tivesse envolvido responsabilidades maiores. Um conhecimento básico pode aparecer como domínio avançado, enquanto uma participação pontual em determinado projeto pode ser apresentada como uma atuação de liderança.

Esse tipo de alteração pode chamar a atenção durante as etapas seguintes da seleção. Respostas excessivamente mecânicas, divergências entre o currículo e aquilo que é dito na entrevista e dificuldade para explicar experiências apresentadas no documento estão entre os sinais observados pelos recrutadores.

Empresas criam novas etapas para verificar candidatos

Com a dificuldade de avaliar apenas as informações presentes nos currículos, as empresas também estão modificando seus processos seletivos.

A pesquisa indica que um terço das empresas acrescentou etapas complementares de triagem para conferir as informações fornecidas pelos candidatos. Essas fases podem envolver entrevistas adicionais, testes, avaliações práticas ou perguntas mais detalhadas sobre experiências anteriores.

Com isso, o currículo deixa de ser suficiente para demonstrar a compatibilidade entre o profissional e a vaga. O candidato precisa conseguir explicar, com segurança e coerência, as experiências, competências e resultados apresentados durante a candidatura.

A consequência pode ser um processo seletivo mais demorado, justamente em um cenário no qual a inteligência artificial tornou mais rápida a produção de currículos e respostas para entrevistas.

Respostas geradas por IA também podem ser identificadas

O uso de ferramentas generativas não está restrito aos documentos enviados às empresas. Candidatos também podem recorrer à IA para antecipar perguntas, elaborar respostas e treinar entrevistas.

O levantamento aponta que 69% dos recrutadores identificaram respostas mecânicas ou padronizadas como um dos principais sinais de uso excessivo de IA. Além disso, 65% citaram inconsistências entre o currículo e a fala do candidato.

Por isso, existe uma diferença entre utilizar a tecnologia para se preparar e simplesmente decorar respostas produzidas por uma ferramenta.

Uma resposta treinada pode ajudar o profissional a organizar suas ideias. Já uma resposta que não corresponde à sua experiência pode gerar dificuldades quando o recrutador fizer perguntas adicionais ou solicitar exemplos concretos.

Como usar IA no currículo sem prejudicar a candidatura?

Para quem busca emprego, a inteligência artificial pode funcionar como uma ferramenta de apoio, principalmente na organização das informações e na melhoria da clareza do currículo.

O cuidado necessário é não permitir que a ferramenta altere os fatos da trajetória profissional. Antes de enviar uma candidatura, o trabalhador pode verificar:

•A experiência descrita realmente aconteceu?
•É possível explicar pessoalmente cada atividade mencionada?
•Os resultados apresentados podem ser detalhados?
•A descrição corresponde à participação efetiva no projeto?
•É possível responder a perguntas adicionais sobre aquela experiência?

A mesma atenção vale para competências, idiomas, cursos, projetos e números apresentados no currículo.

A tecnologia pode ajudar a organizar experiências reais, destacar competências e adaptar a linguagem da candidatura à vaga, sem transformar uma experiência limitada em algo que o candidato não consiga sustentar posteriormente.

Adaptação tecnológica ganha importância no mercado de trabalho

A pesquisa também aponta que o uso responsável da tecnologia está relacionado às competências consideradas relevantes pelas empresas.

Segundo os dados apresentados pela Robert Half, 75% das empresas consideram a capacidade de adaptação a novas tecnologias uma competência estratégica para a empregabilidade. O pensamento crítico aparece para 44% dos entrevistados.

Assim, saber utilizar ferramentas de inteligência artificial não significa apenas conseguir produzir um currículo mais elaborado. Também envolve compreender os limites da tecnologia e manter a capacidade de avaliar, explicar e defender as próprias informações.

IA não substitui experiência durante processo seletivo

A popularização da inteligência artificial mudou a forma como candidatos podem se preparar para uma vaga. Currículos podem ser estruturados em poucos minutos e entrevistas podem ser simuladas com ferramentas generativas.

Para o trabalhador que está procurando emprego, a principal atenção deve estar na coerência entre currículo, experiência e desempenho durante a entrevista. Quanto mais informações forem apresentadas, maior será a necessidade de conseguir explicá-las quando o recrutador aprofundar a avaliação.

(Com informações de Exame)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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