Criar amizades no ambiente de trabalho pode trazer benefícios importantes para trabalhadores e empresas. Relações de confiança entre colegas favorecem a colaboração, tornam a rotina mais leve, reduzem o estresse e fortalecem o sentimento de pertencimento. No entanto, especialistas alertam que esses vínculos precisam ser administrados com maturidade para que não interfiram em decisões profissionais.
Em um cenário em que as relações construídas no ambiente corporativo ganham espaço até mesmo nas redes sociais, cresce também o debate sobre os limites entre amizade e profissionalismo. Histórias de colegas que se tornaram parceiros de carreira mostram como essas conexões podem abrir oportunidades, ampliar o networking e contribuir para o desenvolvimento profissional.
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Amizades aumentam colaboração e satisfação no trabalho
Para especialistas em gestão de pessoas, é natural que profissionais criem laços durante a convivência diária. Afinal, grande parte do tempo é dedicada ao trabalho, o que favorece o desenvolvimento de relações de confiança.
Esses vínculos impactam positivamente a comunicação entre equipes, estimulam a troca de conhecimento e contribuem para um ambiente mais colaborativo. Além disso, fazem parte do chamado “salário emocional”, composto por fatores que influenciam a satisfação dos trabalhadores mesmo sem refletir diretamente na remuneração.
Um ambiente acolhedor, marcado por boas relações interpessoais, também pode ser decisivo para a permanência de profissionais nas empresas.
Pesquisas mostram impacto positivo das amizades no ambiente corporativo
Levantamento realizado pelo Indeed Brasil com 1.065 trabalhadores revelou que a maioria dos profissionais percebe efeitos positivos das amizades no desempenho profissional.
Confira os principais resultados:
• 57% afirmam que as amizades melhoram a colaboração entre equipes;
• 52% consideram que tornam o ambiente de trabalho mais agradável;
• 50% dizem que esses vínculos ajudam a reduzir o estresse;
• 45% associam as amizades ao aumento da motivação e da produtividade;
• Apenas 7% acreditam que elas não exercem influência sobre o desempenho profissional;
• 54% afirmam ter um melhor amigo no trabalho.
Os estudos também indicam que conexões saudáveis fortalecem a confiança entre colegas, facilitam o trabalho em equipe e ampliam a sensação de pertencimento dentro das organizações.
“Elas criam um tecido de confiança que acelera a colaboração, aumenta a fluidez das entregas e amplia a sensação de pertencimento. Ninguém entrega o seu melhor em um ambiente onde se sente sozinho”, afirma a sócia-líder da área de consultoria em gestão de pessoas da KPMG no Brasil, Camilla Pádua.
Quando a amizade pode prejudicar a carreira
Apesar das vantagens, a amizade não pode substituir critérios técnicos nas decisões profissionais.
O principal risco surge quando relações pessoais influenciam avaliações de desempenho, promoções, distribuição de tarefas ou processos de feedback. Nesses casos, o favorecimento, ainda que involuntário, pode comprometer a credibilidade da liderança e gerar sensação de injustiça entre os demais trabalhadores.
“A amizade deve adicionar valor ao seu trabalho, não subtrair a sua objetividade”, declara a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), Eliane Aere.
A recomendação é manter transparência, imparcialidade e profissionalismo para evitar qualquer percepção de tratamento privilegiado.
Também é importante evitar que dificuldades pessoais impeçam conversas necessárias sobre desempenho ou que afinidades interfiram na escolha dos profissionais mais qualificados para determinadas atividades.
“Quando você deixa de dar um feedback necessário para não magoar um amigo ou toma decisões baseadas em afinidade, e não em competência, esse limite foi ultrapassado”, explica a diretora de Recursos Humanos da Nexti, Lucimara Costa.
Solidão no trabalho também preocupa especialistas
Se as amizades fortalecem o ambiente profissional, a ausência delas pode produzir efeitos negativos.
Especialistas destacam o crescimento da chamada solidão corporativa, situação em que trabalhadores convivem diariamente com colegas, mas não conseguem estabelecer relações significativas.
Esse isolamento pode afetar a saúde mental, reduzir o engajamento, comprometer a criatividade e aumentar o absenteísmo. Além disso, a falta de conexões limita o networking, considerado um elemento importante para o crescimento na carreira.
Uma pesquisa realizada pela Pluxee com mais de dois mil brasileiros mostrou que 47% dos entrevistados afirmam sentir solidão no ambiente de trabalho com frequência ou ocasionalmente. O levantamento também revelou que 78% consideram essencial construir amizades verdadeiras durante a vida profissional.
Como manter amizades saudáveis sem perder o profissionalismo
A recomendação é para que trabalhadores preservem a amizade sem abrir mão da ética e da imparcialidade nas relações profissionais, com comportamentos como:
• Evitar privilégios em promoções, avaliações e distribuição de tarefas;
• Separar questões pessoais das decisões profissionais;
• Manter imparcialidade ao oferecer feedbacks;
• Respeitar os limites individuais de cada colega;
• Preservar informações confidenciais;
• Impedir que conflitos pessoais prejudiquem o trabalho da equipe.
Construir amizades no ambiente de trabalho pode representar um diferencial tanto para o bem-estar quanto para o desenvolvimento da carreira. Quando há equilíbrio entre proximidade e profissionalismo, a amizade deixa de ser um risco e passa a contribuir para ambientes de trabalho mais saudáveis, colaborativos e produtivos.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Magnific)







