A sede da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) em São Paulo recebeu, nesta quinta-feira (2), o evento de lançamento do livro “Filhos da Resistência – A saga da família de Lúcio Bellentani”. A celebração teve início às 15h, no auditório do Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo (Sindpd-SP). Além do apoio da CSB, a atividade contou com incentivo do Coletivo Memória e Democracia.
A programação também incluiu a entrega da Medalha Manoel Fiel Filho para familiares de Bellentani, lideranças e dirigentes sindicais. A homenagem, organizada pelo coletivo, reconhece pessoas e entidades que contribuem para a defesa dos direitos humanos, da democracia e da preservação da memória dos perseguidos pela ditadura militar.
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Sobre o livro
Escrita por Rosana Cristina Bellentani, filha do metalúrgico e militante político Lúcio Antônio Bellentani, a obra aborda os efeitos da repressão da ditadura militar não apenas sobre os trabalhadores perseguidos, mas também sobre seus familiares. O relato mostra como prisões, torturas, vigilância e perseguições políticas atingiram esposas, filhos e outras pessoas próximas às vítimas do regime.
Inicialmente, Rosana pretendia produzir uma publicação de circulação restrita, destinada à preservação da memória familiar. O projeto ganhou outra dimensão quando a autora percebeu que a experiência vivida pelos Bellentani poderia contribuir para o debate público sobre memória, verdade, justiça e reparação no Brasil.
“Lúcio Bellentani representa a coragem dos trabalhadores que resistiram à perseguição política e defenderam a liberdade sindical em um dos períodos mais difíceis da nossa história. Este livro também mostra que a violência da ditadura não atingiu apenas os ativistas, mas deixou marcas profundas em suas famílias. Conhecer sua luta é fundamental para que as novas gerações compreendam o valor da democracia e da organização coletiva”, afirmou o sindicalista e dirigente da CSB, Antonio Neto.

Prisão e repressão dentro da Volkswagen
Lúcio Bellentani, que viveu entre 1944 e 2019, trabalhou como ferramenteiro na Volkswagen e participou da organização política e sindical dos trabalhadores durante a ditadura militar. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), tornou-se uma referência da resistência operária ao regime.
Em julho de 1972, Bellentani foi detido dentro da fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, por integrantes da segurança interna da empresa. Após ser agredido nas dependências da montadora, foi entregue a agentes do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), onde sofreu torturas.
O episódio tornou-se um símbolo das denúncias sobre a participação de setores empresariais na perseguição a trabalhadores, sindicalistas e integrantes de movimentos contrários à ditadura.
Para o secretário-geral da CSB, Alvaro Egea, é de interesse coletivo preservar o legado de Bellentani.
“O lançamento de Filhos da Resistência contribui para manter viva uma história que pertence à família Bellentani, ao movimento sindical e a toda a sociedade brasileira. Valorizar esse legado é defender memória, verdade, justiça e garantir que violações como essas nunca mais se repitam”, disse.

(Com informações de Rádio Peão Brasil)







