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É preciso garantir que trabalhadores tenham tempo para descansar, conviver com suas famílias, cuidar da saúde e exercer sua cidadania

Presidente do Stifa defende redução da jornada e direito ao trabalho e ao descanso

O trabalho precisa fazer parte da vida, não ocupar toda ela

A discussão sobre o fim da escala 6×1 representa muito mais do que uma mudança na organização das jornadas de trabalho. Estamos diante de uma oportunidade de repensar a relação entre emprego, qualidade de vida e desenvolvimento econômico. O trabalho é essencial para a dignidade humana, mas não pode ocupar todo o espaço da vida de uma pessoa. É preciso garantir que homens e mulheres tenham tempo para descansar, conviver com suas famílias, cuidar da saúde e exercer plenamente sua cidadania.

A aprovação da proposta pelo Senado Federal representa um passo importante nesse debate. Entretanto, mais do que celebrar uma mudança na legislação, precisamos compreender seus efeitos sobre a vida de milhões de trabalhadores. Durante décadas, os trabalhadores contribuíram para o crescimento das empresas, o avanço da tecnologia e o aumento da produtividade. É justo que essa evolução também se traduza em melhores condições de trabalho e mais qualidade de vida.

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Defender a redução da jornada não significa desconhecer os desafios enfrentados pelo setor produtivo. Sabemos que as empresas precisam manter suas atividades, preservar empregos e garantir competitividade. Por isso, entendemos que a transição deve ser construída com responsabilidade, planejamento e diálogo. As negociações coletivas e a participação dos sindicatos serão fundamentais para encontrar soluções adequadas às diferentes realidades, sempre com a preservação dos salários e dos direitos conquistados.

Também precisamos reconhecer que o descanso é uma questão de saúde. Jornadas prolongadas, quando associadas ao desgaste físico e emocional, comprometem o bem-estar e podem prejudicar o desempenho profissional. Um trabalhador valorizado, saudável e respeitado tem melhores condições de contribuir para os resultados da empresa. Não existe desenvolvimento verdadeiramente sustentável quando o crescimento econômico acontece à custa da qualidade de vida das pessoas.

A mudança, contudo, não será imediata, mas tende a ser progressiva e estar concluída em um pouco mais de um ano. Ao lado do fim da escala 6×1 existe o redutor de horas, sendo que passados dois meses da promulgação, ou seja, a partir de 16 de dezembro de 2026, entrará em vigor, já com a redução de 44 para 42 horas e que depois de mais 12 meses será de 42 para 40 horas, então a transição efetiva será em 14 meses.
O movimento sindical tem a responsabilidade de defender avanços, mas também de contribuir para que eles sejam efetivos e duradouros. Não se trata de estabelecer uma disputa entre trabalhadores e empregadores, e sim de reconhecer que ambos são fundamentais para uma economia forte. O equilíbrio nas relações de trabalho precisa ser construído com respeito, sensibilidade e compromisso coletivo.

Defendemos que o futuro do trabalho deve ser mais humano. Reduzir a jornada, preservar a remuneração e ampliar o tempo de descanso são objetivos que merecem ser tratados com seriedade. Afinal, o verdadeiro progresso não pode ser medido apenas pelo que produzimos, mas também pela qualidade de vida que conseguimos proporcionar às pessoas que tornam essa produção possível.

Por Éder Rodrigues, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Alimentação de Santa Cruz do Sul e Região (Stifa)

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