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Presidente do Sinpospetro Niterói defende fim da escala 6×1 em audiência pública na Câmara

Durante audiência pública realizada na Câmara dos Deputados nesta segunda-feira (13), o vice-presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e presidente do SINPOSPETRO Niterói e Região, Alexsandro Santos, discursou pelo fim da escala de trabalho 6×1, destacando os impactos dessa jornada na saúde mental e na qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente dos frentistas.

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Em sua fala, Alexsandro resgatou a própria trajetória para ilustrar a realidade da categoria. Ele relembrou que começou a trabalhar aos 18 anos em um posto de combustível, o mesmo local onde seu pai também atuou como frentista, e destacou que foi nesse ambiente que construiu não apenas subsistência, mas também consciência sobre a organização de trabalhadores:

“Alguém que foi do chão de trabalho entre bombas de combustíveis, esforço, calor, atendimento e luta, que encontrou não apenas sustento [para a família], mas a consciência da importância de organizar uma categoria através de um sindicato.”

Segundo o dirigente, o frentista ocupa um papel central e muitas vezes invisível no cotidiano da sociedade brasileira. “Está na ida ao trabalho, na volta para casa, na viagem em família, na ambulância que precisa seguir com urgência, no abastecimento que mantém as cidades funcionando”, afirmou. Para ele, trata-se de uma presença “silenciosa, mas essencial”, marcada pelo contato humano direto, pela confiança e pelo cuidado no atendimento.

Ao longo de seu discurso, Alexsandro enfatizou que, por trás de cada trabalhador, há uma história de luta, uma família e expectativas de futuro. Nesse sentido, defendeu que a valorização da categoria precisa ir além de homenagens, incluindo salário digno, condições seguras de trabalho, respeito às negociações coletivas e jornadas mais humanas.

O principal ponto de sua fala foi a crítica incisiva à escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um. Para ele, essa rotina é “exaustiva” e “desumana”, e compromete direitos básicos, como o convívio familiar, o descanso adequado, o acesso ao lazer e os cuidados com a saúde física e mental.

“Defender o fim da 6×1 é defender a saúde, a convivência familiar, o livre exercício da vida coletiva de uma sociedade menos adoecida e uma produtividade que não seja construída na base da exaustão humana, porque um país que deseja crescer de verdade não pode medir seu desenvolvimento apenas por números da economia, mas também pela forma como trata a mão de obra que movimenta o país”, destacou Alexsandro.

Segundo o líder sindical, o fim dessa escala deve ser encarado como uma “exigência civilizatória”, e não como uma pauta exagerada ou utópica. Para ele, garantir melhores condições de jornada é essencial para uma sociedade mais equilibrada e produtiva.

Ao encerrar, reforçou que a discussão sobre o fim da escala 6×1 representa, em última instância, a defesa da dignidade do trabalhador: “O tempo de trabalho tem valor, o descanso tem valor, a saúde mental do trabalhador tem valor”.

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