O empresário investigado após uma ex-funcionária descobrir imagens em que aparece nua no banheiro da imobiliária em Santa Juliana, no Alto Paranaíba (MG), já havia sido denunciado por outras três mulheres que trabalhavam no estabelecimento. Os registros policiais anteriores foram feitos em 2023 e 2024 e relatam episódios de importunação e assédio sexual.
Uma das denunciantes tinha 17 anos quando afirmou ter sido vítima de importunação sexual. As demais trabalhadoras relataram situações de contato físico sem consentimento. Os nomes das mulheres foram preservados.
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A denúncia mais recente foi registrada em 29 de junho de 2026, depois que uma ex-funcionária, de 26 anos, encontrou fotos e vídeos em que aparecia nua no banheiro da imobiliária. Segundo o relato, as imagens estavam armazenadas no celular do empresário e teriam sido feitas enquanto ela utilizava o banheiro.
Ex-funcionária encontrou imagens no celular do patrão
A mulher contou que teve acesso ao celular do empresário depois que ele pediu que ela utilizasse o aparelho para pagar uma marmita. Enquanto ele saiu para fumar, ela verificou as abas abertas e encontrou uma pasta com fotos e vídeos.
Ao identificar que as imagens mostravam seu corpo nu, a ex-funcionária fotografou a tela com o próprio celular e deixou o local. Ela afirmou que não trocava de roupa no banheiro e utilizava o espaço apenas para fazer suas necessidades.
Segundo o boletim de ocorrência, seis celulares foram apreendidos e encaminhados para investigação. O documento também registra que o empresário admitiu ter escondido um celular no banheiro para realizar as gravações. Ele afirmou que não divulgou as imagens e negou outras acusações feitas pela ex-funcionária.
Após o episódio, a mulher deixou a cidade por medo e passou a fazer acompanhamento psicológico.
Empresário já havia sido denunciado em 2023
Um dos registros anteriores foi feito em 2023 por uma jovem que trabalhava na imobiliária e tinha 17 anos à época. Segundo o relato apresentado à Polícia Militar, os episódios de importunação sexual teriam ocorrido de forma frequente.
A jovem afirmou ainda que outras mulheres teriam passado por situações semelhantes e que algumas delas, inclusive menores de idade, teriam registrado ocorrências contra o empresário.
Duas funcionárias denunciaram contatos sem consentimento
Em 2024, um boletim de ocorrência reuniu os relatos de duas funcionárias da imobiliária, que tinham 19 e 25 anos na época. O registro foi feito por assédio sexual e também mencionou estupro consumado na natureza do crime.
A trabalhadora de 19 anos afirmou que foi chamada pelo empresário para trabalhar em um sábado, que seria seu dia de folga. Segundo o relato, ele teria oferecido R$ 800 pelo serviço e informado que precisava de ajuda na avaliação de um imóvel.
Ainda conforme a denúncia, ao final do expediente, o empresário teria se aproximado da funcionária, exposto o órgão genital e tocado seus seios e nádegas sem consentimento. Assustada, ela pegou seus pertences e deixou o imóvel.
Inicialmente, a jovem contou o episódio ao namorado. Depois, relatou o caso ao pai, que a acompanhou até uma unidade da Polícia Militar para registrar a ocorrência.
A segunda funcionária mencionada no mesmo boletim tinha 25 anos. Ela relatou que, em abril de 2024, o empresário teria aproveitado um momento em que não havia outras pessoas no local para se aproximar e tocar sua coxa e suas nádegas.
Segundo a mulher, ela saiu imediatamente da imobiliária, mas retornou posteriormente ao trabalho. O medo de não receber o pagamento e a preocupação com possíveis retaliações teriam pesado na decisão de voltar ao local.
Ela afirmou ainda que temia procurar a polícia por considerar a família do empresário influente.
Ex-funcionária afirma que comportamento mudou antes da descoberta
A mulher que denunciou a gravação no banheiro contou que já havia trabalhado na imobiliária em 2024 e que, naquele período, não havia percebido comportamentos que considerasse inadequados.
Ela deixou a empresa em agosto de 2025 e retornou aproximadamente dois meses depois, após receber uma nova proposta de trabalho.
Segundo o relato, foi durante esse segundo período que o empresário teria começado a se aproximar de forma mais intensa. Ela afirmou que ele passou a acompanhá-la em atividades que anteriormente realizava sozinho e procurava estabelecer uma relação de amizade.
A desconfiança teria aumentado quando a trabalhadora percebeu comportamentos que considerava estranhos ao entrar em determinados ambientes da imobiliária. Ela também afirmou ter descoberto que o patrão acessava seu perfil no TikTok e acompanhava seus vídeos pessoais.
MPT abriu procedimento para investigar denúncias
A Polícia Civil informou que abriu um inquérito para apurar a denúncia registrada em 2026. Questionada sobre os registros anteriores, a corporação não havia respondido até a última atualização da reportagem.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que não havia sido acionado anteriormente sobre o caso. Diante da repercussão e da gravidade das denúncias, porém, a Procuradoria Regional do Trabalho decidiu abrir um procedimento investigativo.
Segundo o órgão, não existe prazo específico para o início das apurações, devido ao recebimento de denúncias relacionadas a diferentes tipos de violações trabalhistas.
O Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que o caso tramita sob segredo de justiça e, por isso, não pode fornecer informações adicionais.
O advogado do empresário foi procurado para informar se desejava se manifestar sobre as denúncias anteriores e o caso mais recente. Até a última atualização da reportagem, não havia apresentado resposta.
As denúncias relatadas neste caso ainda são objeto de investigação, e os registros policiais representam as versões apresentadas pelas denunciantes às autoridades.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Magnific)







