O governo da Espanha anunciou a intenção de construir um “contrato social” para enfrentar os efeitos da inteligência artificial (IA) sobre o emprego e o mercado de trabalho. A proposta prevê a convocação de representantes de empresas, sindicatos e partidos políticos para discutir medidas capazes de oferecer mais segurança aos trabalhadores diante das mudanças tecnológicas.
A iniciativa foi apresentada pelo primeiro ministro, Pedro Sánchez, durante a apresentação do Plano IA 360. Segundo ele, o desenvolvimento da inteligência artificial deve estar acompanhado de regulação e controle público. Para Sánchez, deixar o funcionamento da tecnologia apenas nas mãos da autorregulação não é suficiente.
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Sindicatos serão chamados para discutir mudanças no trabalho
De acordo com a proposta, as primeiras discussões para a construção do acordo devem começar em outubro, com a participação de organizações empresariais e sindicatos. Em uma etapa posterior, o debate deverá envolver os partidos políticos.
A intenção é estabelecer regras para lidar com as transformações provocadas pela inteligência artificial no mundo do trabalho. A proposta espanhola parte da avaliação de que a tecnologia pode abrir novas oportunidades profissionais, mas também eliminar postos de trabalho caso sua implementação não seja acompanhada por medidas de proteção e planejamento.
Sánchez defendeu que a incorporação da IA às empresas deve contribuir para ampliar o valor do trabalho realizado pelos profissionais, e não transformar trabalhadores em mão de obra considerada dispensável. O objetivo declarado é fazer com que a tecnologia produza mais oportunidades do que riscos para o emprego.
Regulação da inteligência artificial entra no debate
Durante a apresentação do plano, Sánchez também defendeu a adoção de “regras claras” para orientar o desenvolvimento da inteligência artificial de acordo com o interesse geral. Para o presidente, a ausência de supervisão humana pode gerar consequências negativas.
O governo espanhol também demonstrou preocupação com a concentração da inteligência artificial em poucas empresas e países. Para Sánchez, esse cenário poderia produzir impactos negativos de grande alcance.
O Plano IA 360 estabelece prioridades para os próximos 12 meses. A agenda inclui temas como cibersegurança, proteção de crianças e adolescentes e os efeitos da inteligência artificial na educação e no emprego.
A estratégia também destaca a criação da Agência Espanhola de Supervisão da IA e a instalação, em Valência, de um laboratório das Nações Unidas dedicado ao tema.
(Com informações de Actualidad RT)
(Foto: Reprodução/Magnific)







