Durante o Summit Mulheres Profissões, evento promovido nesta terça-feira (4) pelo grupo Mulheres do Brasil, foi defendida a criação e implementação de uma lei que garanta ao menos 50% de presença feminina em cargos de liderança. O debate, apresentado pela empresária Luiza Trajano, reuniu o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, e representantes do setor empresarial.
Durante o encontro, Luiza Trajano solicitou o apoio de Luiz Marinho para encaminhar um projeto de lei que transforme a medida em política pública. Segundo ela, a participação feminina em posições de comando não deve depender exclusivamente das iniciativas adotadas pelas empresas, mas ser assegurada por uma legislação permanente.
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Proposta busca ampliar participação feminina na liderança
Ao defender a criação da lei, a empresária afirmou que a presença de mulheres em cargos estratégicos gera benefícios para toda a sociedade e contribui para ampliar oportunidades para outras profissionais.
Ela destacou que a intenção não é criar uma disputa entre homens e mulheres, mas promover maior equilíbrio nas estruturas de liderança. Na avaliação de Luiza Trajano, uma política pública garantiria que o avanço da representatividade feminina não dependesse de decisões individuais de empresas ou gestores.
Durante o pedido, também informou que, caso o projeto seja apresentado, o grupo Mulheres do Brasil pretende mobilizar parlamentares para apoiar sua aprovação no Congresso Nacional.
Trabalho é apontado como instrumento de autonomia para mulheres
Durante sua participação no evento, Luiza Trajano relacionou o acesso ao trabalho à autonomia feminina e ao enfrentamento da violência doméstica. Segundo ela, a independência proporcionada pelo emprego representa um importante caminho para romper situações de vulnerabilidade.
“O trabalho dá dignidade, tira a pessoa da miséria. É muito importante, é o que mais tira a mulher da violência. Quando tem política pública, é diferente. Não depende da Luiza nem de ninguém. Está escrito”, afirmou.
Ao comentar as políticas internas da Magazine Luiza, empresa que administra, afirmou que denúncias de assédio são tratadas com rigor e que existe tolerância zero para esse tipo de conduta.
“Assédio tem nome. Quem pratica é demitido por justa causa”, comentou.
Cármen Lúcia destaca trabalho digno e combate à violência de gênero
Durante fala, a ministra Cármen Lúcia abordou temas relacionados à igualdade de gênero, trabalho digno e enfrentamento da violência contra as mulheres.
A magistrada ressaltou o trabalho como elemento fundamental para a dignidade das pessoas e convocou maior união das mulheres no combate à violência de gênero.
“Trabalho é valor, é o que nos faz estar no mundo com o outro. Parem de nos matar porque nós resolvemos que vamos parar de morrer”, disse.
Ao tratar da desigualdade de gênero, ela criticou padrões impostos às mulheres desde a infância. “Por que os sapatos dos homens são mais confortáveis que os nossos desde sempre? Porque eles iam para os caminhos da vida e nós não”, completou.
Também chamou atenção para a necessidade de ampliar a presença feminina nos espaços de poder, criticou o descumprimento das cotas destinadas às mulheres nas eleições e destacou o peso do eleitorado feminino nas decisões políticas do país.
Ao abordar os desafios enfrentados pelas mulheres, Cármen Lúcia afirmou que o preconceito é um comportamento aprendido e, por isso, pode ser combatido por meio da educação baseada na igualdade entre meninas e meninos desde a infância. “Amor se aprende, ódio se aprende”, concluiu.
(Com informações de Folha de S.Paulo)
(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)







