O avanço da presença feminina em cargos de liderança nas empresas dos Estados Unidos deu sinais de desaceleração, segundo estudo internacional da S&P Global Market Intelligence. A pesquisa de nome “Paridade ilusória: indicador de paridade de gênero cai pela primeira vez em duas décadas” (Elusive Parity: Key Gender Parity Metric Falls for First Time in 2 Decades, no original) alerta que os índices de paridade de gênero caíram pela primeira vez em quase duas décadas, gerando preocupação em entidades que acompanham a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho.
De acordo com o levantamento mais recente, a participação de mulheres em posições de liderança sênior chegou a 22,3% em 2023. Embora o percentual seja maior do que o registrado em 2005, quando elas ocupavam menos de 8% desses cargos, o ritmo de crescimento perdeu força. Em 2023, o avanço foi de apenas 0,48 ponto percentual em relação ao ano anterior, o menor patamar em mais de uma década.
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O resultado contrasta com 2021, quando a presença feminina em cargo sênior cresceu 2,1 pontos percentuais, o maior avanço identificado no período analisado. Caso aquele ritmo fosse mantido, a paridade poderia ser alcançada em menos de 14 anos, a partir dos números daquele ano. No ritmo observado em 2023, porém, a igualdade levaria cerca de 58 anos para ser atingida.
Mulheres perdem espaço no alto comando das empresas
O cenário é ainda mais preocupante nos cargos de C-Level, que incluem posições estratégicas, como CEO, CFO, COO e outros postos executivos com maior poder de decisão. Segundo o estudo, as mulheres ocupavam 12,2% dos cerca de 15 mil cargos de C-Level em empresas norte-americanas de capital aberto em 2022. Em 2023, esse índice caiu para 11,8%.
Foi a primeira vez, no período analisado entre 2005 e 2023, que houve retração da presença feminina nesse grupo de cargos. A queda interrompe uma trajetória de crescimento que, embora lenta, vinha sendo considerada um dos pontos positivos no debate sobre igualdade de gênero nas organizações.
O dado reforça a importância de acompanhar não apenas a entrada de mulheres no mercado, mas também sua permanência e ascensão a postos estratégicos. A baixa presença feminina em funções de direção pode limitar a diversidade nas decisões empresariais, nas políticas internas e nas prioridades adotadas pelas companhias.
Paridade pode ficar mais distante
As novas projeções da S&P Global também indicam que a paridade de gênero em cargos de liderança pode demorar mais do que se estimava anteriormente. Com os dados de 2023, os modelos apontam atraso de um a três anos para a igualdade em cargos seniores e de seis a sete anos para posições de C-Level.
Nas projeções mais otimistas, a paridade em cargo sênior não ocorreria antes de 2033. Em cenários menos acelerados, esse prazo pode chegar a 2042. Já no alto escalão executivo, a igualdade pode ficar ainda mais distante: os modelos indicam possibilidades entre 2055 e 2072.
A mudança nas previsões mostra que avanços anteriores não garantem continuidade automática. Para que a igualdade de gênero avance, a pesquisa sugere a necessidade de monitoramento constante dos indicadores e de manutenção de políticas voltadas à diversidade e inclusão.
Estudo analisou mais de 86 mil executivos
A pesquisa utilizou dados do S&P Global Professionals, base que reúne informações sobre vínculos empresariais, biografias de executivos, cargos, funções, formação e remuneração. O estudo considerou mais de 86 mil executivos de 7.300 empresas ao longo de 13 anos.
Foram incluídas companhias do S&P Global Total Market Index com informações executivas relevantes disponíveis em documentos regulatórios. Para 2023, os resultados se baseiam em aproximadamente 90% das empresas do índice que já haviam apresentado os registros necessários.
Igualdade de gênero exige acompanhamento permanente
Nas principais equipes de liderança do S&P 100 (grandes empresas analisadas de capital aberto, de grande porte e relevância econômica), foi constatado que homens seguem 2,5 vezes mais propensos do que mulheres a ocupar cargos executivos e 10,2 vezes mais propensos a chegar ao posto de CEO.
O levantamento mostra ainda que apenas seis organizações do S&P 100 atingiram paridade de gênero em suas equipes de liderança sênior, cenário que reforça a importância de políticas permanentes de promoção, transparência nos critérios de ascensão profissional e cobrança por igualdade de oportunidades no ambiente de trabalho.
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