O resultado do primeiro turno das Eleições de 2026 não deve ser motivo para desânimo, mas um lampejo sobre a dimensão da batalha política que está em curso e sobre a necessidade de fortalecer a organização popular, sindical e democrática. É preciso compreender o momento, organizar forças e defender com firmeza aquilo que interessa ao Brasil e ao seu povo brasileiro.
Para nós do movimento sindical, essa responsabilidade é ainda maior. Sindicatos não existem apenas para negociar reajustes ou acompanhar convenções coletivas. São instrumentos históricos de organização dos trabalhadores e dos espaços de defesa da democracia, da soberania e de um projeto de desenvolvimento que posicione o trabalho e o desenvolvimento nacional no pedestal das decisões. Quando a conjuntura parecer desfavorável, nem sempre a resposta será recuar, porque é justamente nesses momentos que os direitos sofrem ameaça e que a organização coletiva precisa se fortalecer.
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A disputa também precisa ser observada pelo prisma da soberania nacional. O Brasil não pode aceitar que seus interesses econômicos, comerciais e estratégicos sejam subordinados às vontades de governos estrangeiros. Sobre isso, em ação emblemática, Flávio Bolsonaro demonstrou de que lado está quando encaminhou uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. No material enviado ao representante do governo dos Estados Unidos, Flávio chegou a oferecer espaço para que, caso seja eleito, instale no Brasil uma equipe de transição norte-americana, sinalizando disposição para aprofundar laços com Washington justamente em momento de forte pressão política e econômica sobre o nosso país.
Tarifas, comércio, indústria e relações internacionais têm impacto direto sobre empregos, salários e capacidade de desenvolvimento do Brasil. Assim, Flávio demonstra que, se eleito, a crise não será apenas diplomática.
Defender a soberania não significa fechar o país ao mundo, mas sim, estabelecer relações com outras nações de igual para igual, protegendo a indústria brasileira, os empregos, os recursos naturais e a capacidade do Estado de formular suas próprias políticas.
Um Brasil soberano precisa ter condições de decidir seu próprio destino. Não podemos aceitar que interesses externos determinem quais setores da economia sobreviverão, quais trabalhadores terão oportunidades ou qual modelo de desenvolvimento será adotado.
Essa postura possui raízes profundas no trabalhismo brasileiro. Getúlio Vargas construiu uma trajetória marcada pelo fortalecimento da capacidade brasileira de conduzir seu próprio desenvolvimento. A criação da Companhia Siderúrgica Nacional, a política de industrialização e a defesa de recursos estratégicos expressavam a compreensão de que um país de dimensões continentais não poderia permanecer eternamente dependente da importação de produtos, tecnologia e decisões tomadas por nações estrangeiras.
Foi também durante a Era Vargas que se consolidou uma parte fundamental da legislação trabalhista brasileira, com a criação da CLT, que representou um marco na institucionalização de direitos que, décadas depois, continuam fazendo parte da vida de milhões de trabalhadores. Soberania nacional e valorização do trabalho são, portanto, dimensões inseparáveis de um projeto de desenvolvimento comprometido com a construção de um país justo e forte.
A defesa do trabalhador não pode ser separada da defesa da indústria nacional, da ciência, da tecnologia, dos serviços públicos, da previdência, da educação, da saúde e de uma política econômica capaz de gerar empregos de qualidade. Não existe trabalhador protegido em uma economia destruída pela dependência. Não existe soberania sem trabalhadores organizados. E não existe democracia sem entidades capazes de representar os interesses coletivos diante de forças econômicas poderosas. Por isso, a organização sindical não pode ser desmobilizada pela conjuntura. Nossa tarefa é permanente.
O primeiro turno não pode ser tratado como uma sentença. O resultado deve servir para aumentar a nossa disposição. É necessário continuar defendendo o fim da escala 6×1, a redução da jornada com manutenção dos salários, a valorização do salário mínimo, a negociação coletiva, a proteção previdenciária e o combate à precarização.
O resultado eleitoral pode mudar a correlação de forças, mas não elimina a força da classe trabalhadora quando está organizada. Nenhuma eleição substitui a mobilização social. Nenhum governo, sozinho, constrói um projeto nacional. E nenhum país se torna verdadeiramente soberano quando seus trabalhadores estão enfraquecidos. Se organizar significa disputar o futuro.
Recuperemos a confiança! A união dos trabalhadores é maior do que qualquer conjuntura passageira.
Vamos juntos eleger Lula, enfrentar a extrema-direita no Congresso e organizar os trabalhadores e trabalhadoras para a reconstrução do nosso Brasil!
Central dos Sindicatos Brasileiros







