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Estudo analisou informações de 4,6 milhões de trabalhadores distribuídos em mais de 730 ocupações

Emprego cresce menos entre mulheres da Geração Z do que entre homens, releva estudo

As mulheres da Geração Z têm apresentado um crescimento do emprego inferior ao observado entre os homens da mesma faixa etária nos Estados Unidos, segundo um levantamento realizado pela Universidade Stanford em parceria com a ADP Research. A pesquisa indica que, embora a inteligência artificial (IA) generativa esteja transformando o mercado de trabalho, ela não explica, sozinha, a diferença encontrada entre homens e mulheres.

O estudo analisou informações de 4,6 milhões de trabalhadores distribuídos em mais de 730 ocupações e acompanha, desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, como a adoção da IA vem influenciando as contratações para cargos de entrada no mercado de trabalho.

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Mulheres concentram-se em ocupações mais expostas à IA

Os pesquisadores identificaram que as mulheres entre 22 e 25 anos estão mais presentes em profissões consideradas altamente expostas à inteligência artificial. Enquanto 43,8% das jovens trabalham no grupo de ocupações com maior exposição à tecnologia, entre os homens esse percentual é de 32,4%.

No segundo grupo de atividades mais suscetíveis às mudanças provocadas pela IA, a participação feminina também é superior à masculina. Segundo o levantamento, essa concentração ocorre principalmente em funções administrativas e de escritório, tradicionalmente mais ocupadas por mulheres.

Diferença no emprego vai além da inteligência artificial

Apesar dessa maior presença em funções potencialmente impactadas pela IA, os pesquisadores concluíram que a tecnologia não é a principal responsável pela desaceleração do emprego feminino.

Ao comparar ocupações com diferentes níveis de exposição à inteligência artificial, o estudo encontrou diferenças semelhantes. Nas profissões menos afetadas pela tecnologia, o emprego entre mulheres jovens cresceu 1,3% ao ano desde o fim de 2022, enquanto entre os homens o avanço foi de 2,7%.

Já nas ocupações mais expostas à IA, o emprego feminino registrou queda anual de 4,5%, enquanto entre os homens a redução foi de 2,5%.

Esses resultados levaram os autores a concluir que a diferença observada não está diretamente relacionada ao grau de exposição das profissões à inteligência artificial.

Distribuição das profissões pesa mais que a tecnologia

Segundo a equipe responsável pelo estudo, a principal explicação está na forma como homens e mulheres já estavam distribuídos entre diferentes ocupações antes da popularização da IA generativa.

Os pesquisadores afirmam que as diferenças decorrem da composição ocupacional, ou seja, da concentração de homens e mulheres em setores distintos, e não de um impacto diferente da inteligência artificial sobre profissionais que exercem a mesma função.

Para chegar a essa conclusão, a equipe também avaliou outras possíveis causas para a desaceleração das contratações entre jovens trabalhadores, incluindo mudanças nas taxas de juros, crescimento do trabalho remoto e híbrido, nível de escolaridade, participação do setor de tecnologia e inclusão de trabalhadores temporários ou em tempo parcial. Nenhum desses fatores foi suficiente para explicar completamente o fenômeno.

“Essas lacunas são uma característica da nossa amostra mais ampla; elas não estão visivelmente correlacionadas com a exposição à IA”, apontou o documento da pesquisa.

IA modifica tarefas antes de transformar profissões

Outro ponto destacado pelos pesquisadores é que a inteligência artificial vem alterando inicialmente as tarefas desempenhadas pelos trabalhadores, especialmente aquelas mais repetitivas e operacionais, comuns em cargos ocupados por profissionais em início de carreira.

Como as mulheres estão mais presentes em ocupações com esse perfil, acabam ficando mais expostas aos efeitos da transformação tecnológica. No entanto, os autores ressaltam que essa situação reflete uma distribuição histórica das ocupações e não uma consequência direta da IA generativa.

Apesar das evidências apresentadas, o estudo destaca que ainda não é possível afirmar que a inteligência artificial seja a causa do menor crescimento do emprego entre mulheres da Geração Z. Para os pesquisadores, compreender os fatores que explicam essa diferença continua sendo um desafio e deverá ser tema de futuras investigações.

(Com informações de Tecmundo)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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