O jornalista e colunista do UOL João Paulo Charleaux relatou, na quarta-feira (23), durante o programa Pulso Político, uma situação em que a inteligência artificial do Google apresentou declarações falsas atribuídas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre crime organizado e terrorismo.
Segundo Charleaux, ele utilizava a ferramenta para localizar falas de Lula e encontrou algumas declarações que considerou estranhas. Ao questionar a inteligência artificial sobre a data, o contexto e o local em que as supostas declarações haviam sido feitas, recebeu uma resposta inesperada: a própria ferramenta reconheceu que Lula nunca havia dito aquelas frases e afirmou que havia “inventado” as informações.
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“Eu fui lá e perguntei: ‘escuta, mas quando foi que o Lula disse isso? Em que contexto, em que lugar, em que data?’, e a resposta me surpreendeu muito. Ele disse: ‘não, o Lula nunca falou isso, eu inventei’. A inteligência artificial disse isso”, afirmou.
O jornalista destacou que o episódio pode ter consequências no debate político e eleitoral, especialmente porque usuários recorrem cada vez mais a ferramentas de inteligência artificial para obter informações sobre candidatos e suas posições.
“Eu comecei a pensar na consequência eleitoral que isso tem, do ponto de vista de um eleitor que entra numa máquina de busca e faz uma pergunta para saber o que o seu candidato pensa sobre o assunto ou outro, e uma máquina que pertence a uma empresa privada que opera no Brasil inventa uma declaração e atribui ela a um candidato”, indagou.
Risco de informações falsas no debate político
Para Charleaux, o caso também chama atenção para o poder exercido pelas grandes empresas de tecnologia sobre o ambiente político e eleitoral. Ele relacionou o episódio ao debate sobre a influência das Big Techs e afirmou que a discussão ultrapassa as fronteiras brasileiras.
Em resposta, a jornalista e apresentadora do programa, Daniela Lima, observou ainda que as pessoas passaram a consultar a inteligência artificial como fonte de informação e podem aceitar as respostas apresentadas sem verificar sua origem.
Ela verificou que, tradicionalmente, a chamada “alucinação” da inteligência artificial era associada a situações em que a ferramenta não encontrava uma resposta e acabava inventando uma. No episódio relatado por Charleaux, porém, havia informações disponíveis para consulta, mas a ferramenta apresentou declarações que não correspondiam ao que Lula havia dito.
“Acho esse relato interessante porque as pessoas se acostumaram a perguntar coisas para a inteligência artificial e tomar aquilo, né? A inteligência artificial, antigamente dizia-se que, quando ela não sabia a resposta, ela inventava. O Google tinha base de dados fática para entregar e entregou deliberadamente uma mentira, uma invenção”, ressaltou.
O episódio reforça a importância de verificar a origem de informações apresentadas por ferramentas de inteligência artificial, especialmente quando elas envolvem declarações de autoridades e temas relacionados ao debate público e eleitoral.
(Com informações de UOL)
(Foto: Gerada por IA/Magnific)







