A revolução digital avança rapidamente e já transforma a forma como as pessoas trabalham, estudam e participam da economia. Inteligência artificial, programação, análise de dados e automação estão entre as áreas que ganham espaço no mercado de trabalho. Apesar disso, milhões de mulheres ainda enfrentam barreiras para acompanhar essa transformação.
LEIA: Desigualdade de gênero: canetas emagrecedoras aumentam contratação de mulheres
A desigualdade digital começa antes mesmo da procura por uma vaga em tecnologia. Em muitas regiões, especialmente em áreas rurais e comunidades vulneráveis, o acesso à internet e à infraestrutura de telecomunicações continua sendo um obstáculo. Mesmo quando existe conexão, porém, outros desafios permanecem.
Ter acesso à internet não significa, necessariamente, conseguir aproveitar as oportunidades proporcionadas pela tecnologia. A alfabetização digital, a formação especializada e o acesso à educação são fatores importantes para transformar a conectividade em possibilidades de estudo, trabalho e geração de renda.
Desigualdade digital afeta oportunidades profissionais
A falta de habilidades digitais pode limitar as oportunidades profissionais das mulheres em um mercado cada vez mais dependente da tecnologia. As dificuldades podem aparecer no acesso à educação, na busca por emprego, no empreendedorismo e até na utilização de serviços que dependem da internet.
Por isso, ampliar a conectividade é apenas uma parte da solução. Também é necessário desenvolver competências digitais desde os primeiros anos de formação e criar ambientes que estimulem meninas e adolescentes a conhecer e experimentar diferentes áreas da tecnologia.
A participação feminina em setores como inteligência artificial, ciência de dados, programação, cibersegurança e engenharia pode ter impacto direto na economia dos próximos anos. A permanência das mulheres em posição de sub-representação nessas áreas significa também deixar de aproveitar uma parcela importante dos talentos disponíveis.
A diretora regional da Red Hat, Martha Ardila, defende a criação de espaços que aproximem meninas e adolescentes do universo digital desde cedo. A empresa de software de código aberto participa de iniciativas com instituições de ensino e organizações voltadas ao desenvolvimento de competências tecnológicas.
Mulheres ainda estão sub-representadas nas áreas de tecnologia
Os números apresentados ajudam a dimensionar o tamanho do desafio. Segundo dados atribuídos à ONU Mulheres, quatro em cada dez mulheres na América Latina e no Caribe não estão conectadas à internet.
A diferença também aparece no acesso a celulares. Enquanto 81,4% dos homens possuem um aparelho, entre as mulheres o percentual é de 74,8%.
Outro ponto de atenção está na “STEM”, sigla em inglês que corresponde as áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Apenas uma em cada três pessoas formadas nessas áreas é do gênero feminino.
A baixa presença feminina nessas carreiras pode se tornar ainda mais relevante à medida que as profissões relacionadas à tecnologia ganham espaço. As estimativas apontam que as desigualdades no acesso e na participação digital das mulheres podem representar um impacto de até US$ 500 bilhões nos próximos cinco anos.
O problema, portanto, ultrapassa a questão do acesso à internet. A desigualdade digital também pode afetar produtividade, inovação, independência econômica e a preparação da força de trabalho para as novas atividades profissionais.
Formação digital precisa começar desde cedo
Reduzir a desigualdade exige ações conjuntas de governos, empresas, instituições de ensino e organizações sociais. Além de ampliar a conectividade, é necessário fortalecer a alfabetização digital e criar oportunidades para que meninas e jovens desenvolvam habilidades tecnológicas.
A segurança no ambiente digital também faz parte desse processo. Mulheres precisam ter condições de participar da internet sem serem constantemente expostas à discriminação, ao sexismo e ao assédio virtual.
O combate a essas práticas passa pela criação de ambientes digitais mais seguros, pela denúncia de condutas abusivas e pela valorização da presença feminina em posições de liderança na área de tecnologia.
A representatividade também pode contribuir para romper estereótipos. Meninas e adolescentes precisam conseguir se enxergar como programadoras, cientistas, engenheiras, especialistas em dados e criadoras de novas tecnologias.
Garantir que mulheres tenham acesso à conexão, à formação e a ambientes seguros de participação digital é fundamental para evitar que desigualdades antigas sejam reproduzidas nas profissões do futuro.
A revolução tecnológica não espera pela superação das diferenças sociais. Por isso, ampliar a participação feminina no universo digital significa também criar condições para que mais mulheres possam disputar oportunidades profissionais e participar da economia que está sendo construída.
(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Magnific)







