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Desigualdade no mercado de trabalho atinge mais mulheres e pretos, aponta IBGE

A desigualdade racial e de gênero no mercado de trabalho brasileiro voltou a aparecer com força nos dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Trimestral, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quinta-feira (14). O levantamento mostra que a taxa de desemprego entre pessoas pretas chegou a 7,6% no primeiro trimestre de 2026, percentual acima da média nacional de 6,1% e 55% maior que o registrado entre trabalhadores brancos, cuja taxa ficou em 4,9%.

Os números revelam um aumento da distância entre os grupos raciais em comparação aos períodos anteriores. No último trimestre de 2025, essa diferença era de 52,5%, enquanto no mesmo período do ano passado o índice apontava desigualdade de 50%. A maior disparidade já registrada pela série histórica ocorreu em 2020, durante os impactos iniciais da pandemia de covid-19, quando o desemprego entre pretos chegou a ser quase 70% maior que entre brancos.

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A população parda também enfrenta condições desfavoráveis no acesso ao emprego. A taxa de desocupação desse grupo ficou em 6,8%, índice 38,8% superior ao dos trabalhadores brancos. Apesar de oscilações ao longo dos últimos anos, os dados indicam que a diferença estrutural permanece presente no mercado de trabalho brasileiro.

Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, os resultados refletem fatores estruturais que vão além da questão racial isoladamente. Ele aponta que elementos como escolaridade, localização geográfica e condições de acesso ao mercado formal ajudam a explicar as disparidades observadas nos indicadores.

Informalidade atinge mais pretos e pardos

Além do desemprego, a pesquisa também evidencia desigualdade na qualidade das ocupações. A informalidade segue mais elevada entre trabalhadores pretos e pardos do que entre brancos. Enquanto a média nacional ficou em 37,3%, a taxa alcançou 41,6% entre pardos e 40,8% entre pretos. Entre os brancos, o percentual foi de 32,2%.

O levantamento considera como informais trabalhadores sem carteira assinada, além de autônomos e empregadores sem registro de CNPJ. Essa condição representa ausência de direitos trabalhistas como férias remuneradas, 13º salário e acesso ao seguro-desemprego.

Os dados reforçam um cenário em que parte significativa da população negra ocupa postos mais vulneráveis e com menor proteção social, mesmo em períodos de recuperação econômica.

Mulheres seguem em desvantagem no emprego

A desigualdade também aparece quando o recorte é feito por gênero. A taxa de desemprego entre mulheres ficou em 7,3% no primeiro trimestre de 2026, percentual 43,1% superior ao registrado entre os homens, cuja taxa foi de 5,1%.

Embora a distância entre homens e mulheres tenha diminuído em relação ao início da série histórica da pesquisa, a diferença permanece elevada. No primeiro trimestre de 2012, o desemprego feminino era quase 70% maior que o masculino.

Na informalidade, porém, o cenário se inverte. Os homens apresentaram taxa de 38,9%, acima dos 35,3% registrados entre as mulheres.

Jovens enfrentam maior dificuldade para entrar no mercado

A faixa etária também influencia diretamente os indicadores de emprego. Jovens de 14 a 17 anos apresentaram a maior taxa de desocupação do país, chegando a 25,1%. De acordo com o analista do IBGE, muitos aceitam ocupações temporárias e menos estáveis como forma de iniciar a trajetória profissional e construir experiência.

Na outra ponta, pessoas com 60 anos ou mais registraram a menor taxa de desemprego, de 2,5%. O resultado está ligado à saída gradual dessa parcela da população do mercado de trabalho.

Autoidentificação e perfil da população

A pesquisa utiliza o critério de autoidentificação racial. No primeiro trimestre de 2026, os pardos representavam a maior parcela da população analisada, com 45,4%. Os brancos correspondiam a 42,5%, enquanto os pretos somavam 11,1%.

Os resultados reforçam o debate sobre desigualdade social, inclusão produtiva e políticas de geração de emprego e renda no Brasil, especialmente em relação à população negra, às mulheres e aos jovens.

(Com informações de Agência Brasil)

(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

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