O Brasil apresentou avanços em 71% dos 48 indicadores de desigualdade acompanhados pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades em 2026. O levantamento aponta melhorias em áreas como emprego, pobreza, segurança alimentar, educação, desmatamento e violência contra jovens. Apesar dos resultados positivos, a concentração de renda continua sendo um dos principais desafios do país e se agravou em 2025.
Elaborado pelo Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, o relatório mostra que 13% dos indicadores permaneceram estáveis, enquanto 16% apresentaram piora. Entre os principais retrocessos estão o aumento da população exposta a áreas de risco geológico, a elevação da mortalidade materna e o crescimento da distância de renda entre os mais ricos e os mais pobres.
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Desemprego recua, mas desigualdades permanecem
A taxa de desocupação brasileira caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025. A redução foi ainda maior entre as mulheres, cujo índice passou de 8,1% para 6,9%.
O relatório, porém, destaca que o mercado de trabalho ainda apresenta diferenças importantes entre grupos da população. Entre as mulheres negras, a taxa de desemprego chegou a 8,5%, enquanto entre homens não negros ficou em 3,8%.
Os dados mostram, portanto, que a melhora dos indicadores gerais de emprego não significa que os benefícios tenham sido distribuídos de maneira uniforme entre os trabalhadores.
Renda média cresce, mas concentração aumenta
O rendimento médio mensal dos brasileiros avançou 5,3% entre 2024 e 2025, alcançando R$ 3.376. Mesmo com esse crescimento, o relatório aponta que as desigualdades de renda continuam elevadas.
Em 2024, a renda média do 1% mais rico era 30,2 vezes superior à dos 50% mais pobres. Em 2025, essa diferença aumentou para 31,5 vezes.
A desigualdade também aparece quando os rendimentos são analisados sob a perspectiva de gênero e raça. As mulheres negras tiveram crescimento de renda inferior à média nacional e continuam entre os grupos com os menores rendimentos médios, com R$ 2.184 em 2025.
Insegurança alimentar diminui
A parcela da população brasileira vivendo em domicílios com insegurança alimentar moderada ou grave caiu de 9,5% em 2023 para 7,7% em 2024, outro avanço identificado.
Entre a população negra, a redução foi mais significativa. Entre os homens negros, o índice passou de 12,2% para 9,7%. Já entre as mulheres negras, caiu de 12,5% para 10%.
Os resultados indicam uma melhora nas condições de acesso à alimentação, embora as diferenças entre os grupos populacionais ainda permaneçam.
Desmatamento registra queda expressiva
O desmatamento também apresentou melhora no período analisado. Depois de alcançar 2,1 milhões de hectares em 2022, a área desmatada caiu para 984,8 mil hectares em 2025, uma redução de 53,4% em relação ao maior nível registrado na série histórica.
As emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao uso da terra e das florestas também diminuíram. Entre 2023 e 2024, passaram de 1,34 bilhão de toneladas de CO2 para 905,6 milhões, uma queda de 32,5%.
Homicídios entre jovens também recuam
O número de homicídios entre jovens de 15 a 29 anos apresentou redução entre 2021 e 2024. A taxa passou de 49,7 para 41,9 casos por 100 mil habitantes, o equivalente a uma queda de 15,7%.
O resultado está entre os indicadores que contribuíram para o balanço positivo apresentado pelo Observatório Brasileiro das Desigualdades.
Aumento da população em áreas de risco preocupa
Entre os indicadores que pioraram, um dos principais está relacionado à exposição da população a riscos geológicos e climáticos.
O número de pessoas vivendo em áreas sujeitas a deslizamentos e outras tragédias passou de 4,36 milhões em 2025 para 4,67 milhões em 2026, um aumento de 7%.
O levantamento também aponta que o problema não está apenas relacionado ao crescimento da população em áreas de risco já existentes. Houve expansão dessas áreas, que atualmente somam 17 mil locais, ocupados majoritariamente por pessoas em situação de vulnerabilidade.
Mortalidade materna volta a crescer
Outro indicador negativo foi a mortalidade materna. Depois de apresentar queda no período posterior à pandemia, o índice voltou a subir.
A taxa passou de 52,2 mortes para cada 100 mil nascidos vivos em 2023 para 55,5 em 2024. Roraima apresentou o cenário mais crítico, com 132,3 mortes a cada 100 mil nascidos vivos.
Indicadores estáveis ainda exigem políticas públicas
O relatório também identificou indicadores que não apresentaram mudanças significativas. Entre eles estão a escolarização no ensino fundamental, a taxa de feminicídio, o acesso à internet e a progressividade da tributação sobre a renda.
Para os pesquisadores, a estabilidade nesses indicadores reforça a necessidade de políticas públicas mais consistentes capazes de produzir mudanças efetivas.
“Em conjunto, os resultados mostram que o país avançou na ampliação das condições de vida da população, mas ainda encontra dificuldades para reduzir as desigualdades que estruturam a sociedade brasileira. O crescimento do emprego, da renda e do acesso a direitos foi acompanhado pela manutenção — e, em alguns casos, pelo agravamento — das disparidades de renda, raça, gênero, moradia e território”, diz o Observatório.
(Com informações de O Globo)
(Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil)







