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Trabalhadores em mobilização coletiva

Argentina, Panamá e Equador entram na lista dos piores países para trabalhadores

Um novo levantamento da Confederação Sindical Internacional (CSI) revela um cenário preocupante para os direitos trabalhistas em diferentes partes do mundo. De acordo com o Índice Global dos Direitos de 2026, países como Argentina, Panamá e Equador passaram a integrar o grupo dos dez piores lugares para trabalhadores, evidenciando um agravamento nas condições de trabalho.

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Retrocesso nos direitos trabalhistas preocupa sindicatos

O relatório aponta que a Argentina apresentou uma deterioração contínua pelo segundo ano consecutivo, atingindo o nível mais crítico da classificação. Sob o governo de Javier Milei, o país passou a adotar medidas consideradas mais rígidas, incluindo protocolos que permitem o uso ampliado da força policial em manifestações. Segundo o estudo, isso contribuiu para um ambiente mais hostil para trabalhadores e organizações sindicais.

A classificação na chamada “categoria 5” representa um cenário em que os direitos trabalhistas deixam de ser efetivamente garantidos. Na prática, isso significa que, embora existam leis, o acesso a esses direitos é limitado ou inexistente.

Pressão sobre trabalhadores na América Latina

Além da situação da Argentina, no caso do Panamá, o documento destaca a falta de garantias básicas para trabalhadores e sindicatos, além de uma pressão constante tanto por parte de empregadores quanto do Estado.

Já no Equador, a preocupação gira em torno de mudanças legais recentes que ampliam mecanismos de vigilância, permitindo monitoramento e coleta de dados sem necessidade de autorização judicial.

Esses fatores colocam os três países ao lado de Belarus, Egito, Essuatíni, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia, no grupo considerado mais crítico para os direitos dos trabalhadores.

A pesquisa também indica que, em grande parte dos países analisados, os direitos fundamentais (como organização sindical e negociação coletiva) enfrentam obstáculos sistemáticos.

Assim, a América Latina continua sendo apontada como uma das regiões mais perigosas para trabalhadores e lideranças sindicais. Em diversos países, há registros de restrições ao direito de greve, dificuldades na criação de sindicatos e até detenções de trabalhadores.

Uruguai aparece como exceção positiva

Na contramão desse cenário, o Uruguai surge como destaque positivo. O país é o único da América Latina classificado no nível mais alto de proteção aos direitos trabalhistas, ao lado de nações europeias.

O Brasil aparece ao lado de países de categorias intermediárias e figurando entre aqueles com violações sistemáticas, demonstrando que ainda há desafios significativos a serem enfrentados.

Crise global dos direitos trabalhistas

Para secretário-geral da CSI, Luc Triangle, o relatório evidencia que a crise dos direitos trabalhistas deixou de ser um problema localizado. Segundo ele, a fragilidade na proteção aos trabalhadores já atinge diferentes sistemas políticos, incluindo democracias.

“Os governos já não protegem os trabalhadores e, em alguns casos, contribuem para enfraquecer seus direitos”, afirmou.

O Índice Global dos Direitos avalia mais de 150 países com base em dezenas de indicadores relacionados às normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), reforçando a importância de políticas públicas e da atuação sindical para garantir condições dignas de trabalho.

(Com informações de g1)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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