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Flávio Werneck durante fala em reunião da Comissão de Desenvolvimento Econômico

Na Câmara, Werneck denuncia impactos sociais e econômicos das bets

A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados realizou, nesta quinta-feira (28), uma audiência para discutir os impactos das apostas online na economia brasileira, na saúde pública e na vida financeira das famílias. Durante o encontro, o vice-presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Flávio Werneck, afirmou que o avanço das plataformas de apostas tem provocado prejuízos sociais, aumento do endividamento e riscos relacionados ao crime organizado.

Ao participar do debate, Werneck destacou que os jogos de apostas são estruturados para gerar perdas aos usuários e criticou a ausência de informações claras sobre os riscos envolvidos. Segundo ele, o crescimento acelerado das bets vem atingindo principalmente trabalhadores de baixa renda e pessoas mais jovens.

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De acordo com os dados apresentados durante a audiência, o Brasil registrou 17,7 milhões de apostadores em um período de seis meses. O dirigente sindical alertou que recursos essenciais para despesas familiares, como alimentação, moradia e educação, estariam sendo direcionados para plataformas de apostas online.

“O perfil típico do apostador é homem, com até 44 anos, com renda de até dois salários mínimos. Esse é o tamanho do problema de quem está apostando no Brasil. Esse dinheiro é um dinheiro que seria de alimentação, de moradia, de escola para filhos, e está indo direto para o Bolso das Plataformas. O jogo é vício”, defendeu.

Endividamento e impactos sociais

Durante a fala, também foram citados números relacionados ao aumento do endividamento das famílias, indicando que quatro em cada dez apostadores passaram a enfrentar dívidas após iniciarem apostas em plataformas digitais.

O representante da CSB evidenciou dados sobre a baixa arrecadação tributária do setor em comparação com outros produtos e serviços consumidos pela população.

Werneck comparou a carga tributária das plataformas de apostas com impostos cobrados sobre medicamentos, energia elétrica, material escolar, bebidas alcoólicas e telefonia celular, argumentando que o setor das bets possui tributação inferior à aplicada em itens essenciais do cotidiano.

“O Brasil tem 12% sobre o faturamento dessas empresas, das legalizadas, fora as ilegais. Se eu fico doente e vou à farmácia, estou pagando no medicamento ao menos 30% de imposto. Material escolar dos nossos filhos, em média, tem carga total de 34% de imposto. A luz que nós pagamos todo mês em casa, tem em média de 25% a 30% de imposto. E nós estamos cobrando das bets 12%, num prejuízo à saúde de 32 bilhões de reais”, argumentou.

O dirigente, que também integra a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), ressaltou o risco de organizações criminosas utilizarem plataformas de apostas para a movimentação de recursos ilícitos, além da dificuldade de fiscalização dos sites ilegais, que conseguem retornar rapidamente ao ar mesmo após bloqueios.

Geração de empregos é questionada

Sobre o retorno econômico prometido pelo setor de apostas, Flávio Werneck afirmou que o número de empregos formais gerados pelas empresas do segmento ainda seria reduzido diante do volume financeiro movimentado no país.

“O lobby das bets é de que gira em torno de emprego e gera um retorno econômico. O setor apresenta apenas 1.144 empregos formais em todo o Brasil, distribuídos entre 60 empregadores. Isso significa 19 empregados por empresa em um país de 215 milhões de pessoas”, destacou.

Segundo o representante, a quantidade de trabalhadores com carteira assinada nas empresas de apostas seria pequena em relação ao tamanho do mercado. Também foi apontada baixa contribuição previdenciária no setor, fator que amplia preocupações sobre os impactos econômicos e sociais das plataformas digitais de apostas.

“Precisamos ter muita responsabilidade nesse debate e saber como vamos trabalhar para regulamentar isso de forma séria, com resultados efetivos, e com o pagamento das despesas que as bets geram para o país e para a sociedade brasileira”, completou.

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