A sede da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), em São Paulo, recebeu nesta quinta-feira (09) um ato político em homenagem ao Dia da Luta Operária. A data relembra a paralisação de 1917, movimento que mobilizou trabalhadores de diversas empresas na capital paulista e ficou marcado como a primeira greve geral do Brasil.
Reforçando a importância da memória operária e da organização coletiva na defesa dos direitos dos trabalhadores, o encontro foi organizado pelas centrais sindicais – CSB, CUT, Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) e Intersindical –, com o apoio e participação do Centro de Memória Sindical, Instituto Astrojildo Pereira, Oboré, IIEP e do mandato do deputado estadual Antonio Donato (PT-SP), além de música ao vivo pelo grupo MPB Show.
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Data homenageia José Martinez
O Dia da Luta Operária foi instituído pela Lei Municipal nº 16.634/17 em memória à greve de 1917 e ao sapateiro sindicalista José Martinez. No dia 9 de julho daquele ano, Martinez foi baleado e morto por soldados durante o movimento grevista.
Sua morte se tornou um símbolo da luta dos trabalhadores por melhores condições de vida, direitos trabalhistas e liberdade de organização. A data é lembrada pelo movimento sindical como um marco da resistência operária no Brasil.
Na edição deste ano, a data completa 140 anos da greve de 1886 em Chicago, situação que deu origem a data do 1º de maio, o Dia Internacional dos Trabalhadores.
“Esse prédio se chama Getúlio Vargas. Sou trabalhista e seguidor de Getúlio. Ver essa casa lotada para homenagear aqueles que realmente fizeram a história, enquanto lá fora estão celebrando a tentativa de derrubada de Getúlio, significa honrar a luta da classe operária. Para nós da CSB e do Sindpd – que é o proprietário desta casa – é uma honra muito grande. Nos deixa profundamente emocionados observar a quantidade de companheiros que vieram prestigiar esse evento”, afirma o presidente da CSB, Antonio Neto.

Laerte Coutinho e Aurélio Peres recebem Troféu José Martinez
Durante a celebração, a cartunista Laerte Coutinho e o ex-deputado federal Aurélio Peres foram homenageados com o Troféu José Martinez.
Laerte recebeu a homenagem por sua contribuição à comunicação dos movimentos sociais e sindicais. Entre 1977 e 1986, a artista produziu mais de mil charges políticas e materiais educativos voltados à mobilização da classe trabalhadora. Os companheiros Sebastião Neto, do IIEP, e Maria Auxiliadora, do Fórum Nacional das Mulheres Trabalhadoras das Centrais Sindicais, receberam o busto por Laerte.
Aurélio Peres, metalúrgico e ex-parlamentar, também foi reconhecido por sua trajetória ligada às lutas populares e operárias. Com atuação na Pastoral Operária e no Movimento do Custo de Vida, ele foi preso e torturado durante a ditadura militar. Depois, exerceu dois mandatos como deputado federal e, ao deixar o Congresso, voltou ao trabalho operário até se aposentar. O busto em homenagem à Aurélio foi recebido por seus familiares.
Além de Laerte e Aurélio, receberam placas de reconhecimento Paulo Canabrava e José Maria de Almeida.
“Não somos mais do que a expressão das lutas da nossa classe e assim precisamos entender as homenagens. Não pelo papel na luta, mas pela impressão dessa luta”, afirmou José Maria.
Homenagens póstumas
A programação também lembrou nomes que contribuíram para a história das lutas sociais e sindicais. Foram realizadas homenagens póstumas a Waldemar Rossi, Célia Rossi, Nair Goulart, Idibal Pivetta, Paulo Frateschi e Rubens Romano.
Antonio Neto destacou a preservação da memória da classe trabalhadora como parte fundamental da luta por direitos, democracia e valorização do trabalho.
“São companheiros que fazem parte da luta e sempre estiveram conosco construindo a história da classe trabalhadora. Quero, em nome do Sindpd e da CSB, agradecer a presença de todos e agradecer aos movimentos que organizaram as homenagens. O que estamos fazendo aqui é resgatar e continuar a nossa história”, concluiu








