Os impactos da saúde mental no ambiente de trabalho deixaram de ser uma preocupação restrita ao bem-estar dos trabalhadores e se tornaram um desafio econômico global. Um estudo desenvolvido pela Sodexo em parceria com a Social Impact Partners e a Global Brain Health Initiative revela que transtornos mentais e condições relacionadas à saúde cerebral já representam um custo anual de aproximadamente US$ 5 trilhões para a economia mundial. Caso medidas eficazes não sejam adotadas, esse valor poderá ultrapassar US$ 16 trilhões até 2030.
Os dados evidenciam que problemas como ansiedade e depressão afetam diretamente a produtividade das organizações. Juntas, essas condições respondem por perdas estimadas em US$ 1 trilhão por ano e por 12 bilhões de dias de trabalho perdidos em todo o mundo. O levantamento também aponta que a falta de engajamento dos trabalhadores gera impactos econômicos expressivos, representando uma parcela significativa das perdas globais de produtividade.
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NR-1 amplia responsabilidade das empresas
Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir maior atenção das organizações aos riscos psicossociais presentes no ambiente de trabalho, o debate sobre saúde mental ganhou força.
Estima-se que 90 mil horas são dedicadas ao trabalho ao longo da vida adulta, o que faz do ambiente corporativo um espaço fundamental para a prevenção de fatores que contribuem para o adoecimento psicológico.
Segundo a vice-presidente de pessoas, comunicação e ESG da Sodexo Brasil, Ana Menegotto, são inúmeros os fatores que influenciam na saúde emocional de trabalhadores. Por isso, o cuidado com o bem-estar não deve ser tratado como uma ação pontual, mas compor à cultura organizacional e às práticas de gestão, incluindo situações relacionadas ao estresse excessivo, à pressão constante, ao assédio e a outras condições que afetam o equilíbrio emocional.
“A forma como o trabalho é organizado, como as lideranças se relacionam e como as pessoas descansam e convivem influenciam diretamente na saúde mental. O cuidado precisa estar incorporado ao dia a dia”, afirma.
Saúde cerebral depende de múltiplos fatores
O estudo defende uma visão ampla da saúde mental e cognitiva, considerando elementos que vão além do ambiente profissional. Alimentação adequada, qualidade do sono, prática regular de atividade física, gerenciamento do estresse, relações sociais saudáveis, propósito de vida e ações preventivas aparecem entre os fatores essenciais para a manutenção da saúde cerebral.
A pesquisa destaca ainda que características do espaço físico de trabalho podem influenciar significativamente o desempenho e o bem-estar dos profissionais. Aspectos como iluminação natural, ventilação adequada, controle de ruídos e áreas destinadas à convivência e ao descanso contribuem para reduzir o estresse e favorecer a concentração.
Entre as evidências reunidas pelo relatório, está a constatação de que ambientes com melhor qualidade do ar e menor presença de poluentes estão associados a resultados até 61% superiores em avaliações de desempenho cognitivo.
A importância das conexões humanas
O isolamento social e a sensação de solidão aparecem como fatores que aumentam os riscos de problemas relacionados à saúde mental, incluindo ansiedade, depressão e esgotamento emocional.
A construção de ambientes colaborativos, com estímulo ao diálogo, ao respeito e ao apoio entre colegas, é apontada como uma das estratégias capazes de fortalecer a saúde psicológica dos trabalhadores e melhorar a qualidade de vida no trabalho.
Investimento pode gerar ganhos econômicos
O estudo destaca que investir em saúde mental pode trazer resultados econômicos relevantes para empresas e sociedades, uma vez que iniciativas voltadas à promoção da saúde cerebral contribuem para reduzir afastamentos, elevar o engajamento das equipes e aumentar a produtividade.
A projeção apresentada pelos pesquisadores indica que ações efetivas nessa área podem gerar trilhões de dólares em benefícios econômicos nas próximas décadas, demonstrando que a saúde mental deve ser vista não apenas como uma questão social, mas também como um fator estratégico para a sustentabilidade das organizações.
O local de trabalho deve deixar de ser um espaço gerador de adoecimento e se consolidar como um ambiente de proteção, desenvolvimento humano e promoção da qualidade de vida.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Magnific)







