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42% dos entrevistados consideram as finanças sua maior fonte de inquietação

Afetando saúde mental e trabalho, dinheiro é a principal preocupação de 42% dos brasileiros

As dificuldades para pagar as contas, formar uma reserva de emergência e enfrentar despesas inesperadas colocaram o dinheiro no topo das preocupações dos brasileiros. Pesquisa realizada pela Onze em parceria com a Icatu Seguros mostra que 42% dos entrevistados consideram as finanças sua maior fonte de inquietação.

O percentual supera as preocupações com saúde, mencionada por 22% dos participantes, família, com 15%, violência, com 10%, política, com 6%, e trabalho, citado por 5%.

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O levantamento ouviu 8.391 pessoas entre 26 de maio e 1º de junho. Participaram trabalhadores com carteira assinada, microempreendedores individuais, servidores públicos, empresários, aposentados e pessoas desempregadas.

Os resultados mostram que a insegurança financeira não se limita ao orçamento doméstico. Para 72% dos entrevistados, as preocupações com dinheiro comprometem a saúde mental e emocional, além da qualidade de vida.

Maioria não possui reserva para despesas inesperadas

A falta de recursos para situações emergenciais aparece como um dos principais problemas identificados pela pesquisa. Entre os entrevistados, 56% disseram não possuir reserva de emergência. Outros 15% estão sem qualquer reserva e ainda acumulam dívidas.

O receio de não ter dinheiro para enfrentar problemas de saúde, acidentes ou ajudar familiares e amigos foi mencionado por 58% dos participantes. A dificuldade para pagar as contas mensais aparece em seguida, com 33%.

Garantir melhores condições futuras para os filhos preocupa 25% dos entrevistados, enquanto 22% apontam como prioridade quitar dívidas ou retirar o nome dos cadastros de inadimplência.

O levantamento também mostra que 53% dos participantes enfrentam uma situação financeira mais crítica. Dentro desse grupo, 27% estão endividados ou com o nome negativado, enquanto 26% afirmam que a renda não cobre todas as despesas mensais.

Outros 20% conseguem pagar apenas os gastos básicos. Somente 6% afirmaram que, além de cobrir as despesas, conseguem guardar algum dinheiro.

Cartão de crédito concentra maior parte das dívidas

O cartão de crédito, considerando faturas abertas e compras parceladas, foi citado por aproximadamente 60% das pessoas que possuem dívidas. Na sequência aparecem os empréstimos pessoais, mencionados por 30%, e o crédito consignado, incluindo o Crédito do Trabalhador, com 26%.

Para 45% dos entrevistados, a contratação de crédito ocorre para completar o orçamento e pagar despesas básicas, como alimentação e contas domésticas.
Outros 23% recorrem a empréstimos diante de imprevistos, como tratamentos de saúde e consertos. Já 13% utilizam novos créditos para renegociar dívidas anteriores ou tentar regularizar a situação financeira.

Na avaliação do CEO e cofundador da Onze, Antonio Rocha, o cartão pode criar uma percepção equivocada sobre o dinheiro disponível. Quando as compras ultrapassam a capacidade de pagamento, o consumidor pode passar a pagar apenas parte da fatura.

“A partir do momento que você comprou a mais, no mês seguinte não vai conseguir pagar a fatura. Começa a pagar o mínimo e entra numa bola de neve de juros”, afirma.

O diretor de Produtos de Previdência da Icatu Seguros, Henrique Diniz, também relaciona o problema aos estímulos permanentes ao consumo, especialmente no ambiente digital.

“As pessoas são estimuladas o tempo todo ao consumo pelas redes sociais. Segurar esse consumo para evitar a bola de neve dos juros é um desafio comportamental. O mundo hoje estimula muito o consumo digital. Quando sobra um espaço na renda, a pessoa acaba consumindo — por necessidade ou pelo ambiente em que vive”, explica.

Responsabilidade familiar aumenta pressão sobre a renda

A pesquisa indica que 78% dos participantes possuem pelo menos uma pessoa que depende total ou parcialmente de sua renda. Esse compromisso ajuda a explicar por que emergências, despesas mensais e futuro dos filhos ocupam posição de destaque entre as preocupações.

Ao mesmo tempo, 63% não contam com instrumentos de proteção financeira para situações como morte ou invalidez. A busca por orientação especializada também é baixa: 89% nunca procuraram consultoria para organizar o orçamento ou enfrentar o endividamento.
A educação financeira dentro de casa representa outro desafio. Mais da metade dos entrevistados, 53%, afirmou que raramente conversa ou conversava sobre dinheiro com familiares, incluindo diálogos entre responsáveis, crianças e adolescentes.

Ansiedade e insônia são principais efeitos do estresse financeiro

Entre as pessoas que percebem impactos das finanças sobre o bem-estar, 65% afirmaram ter desenvolvido ansiedade relacionada ao dinheiro. A insônia foi mencionada por 53%.

Problemas nos relacionamentos com amigos, familiares ou parceiros aparecem em 19% das respostas, enquanto 18% relataram depressão. Compulsão alimentar foi citada por 12%, e 8% relacionaram as preocupações financeiras ao burnout. O mesmo percentual mencionou algum tipo de vício, como bebidas ou jogos.

Além dos 72% que identificam prejuízos à saúde mental ou emocional, 9% disseram que as dificuldades financeiras também afetam sua saúde física. Os demais 19% afirmaram não perceber impactos ou não souberam avaliar.

De acordo com Antonio Rocha, a ansiedade e a perda do sono costumam aparecer nos estágios iniciais do estresse financeiro.

“Isso deixa as pessoas numa agonia constante de sentir que a vida não está andando. Não consegue juntar dinheiro, não fecha a conta e tem que entrar no crédito. Aí vira inadimplência, banco ligando, mensagem, golpe, fraude, bet. É um tema que gera uma sobrecarga nas pessoas”, declara.

Preocupações financeiras afetam o ambiente de trabalho

Os impactos chegam ainda à rotina profissional. Cerca de 69% dos entrevistados acreditam que seriam mais felizes e produtivos caso alcançassem estabilidade por meio de planejamento financeiro e melhor organização das dívidas.

Henrique Diniz avalia que o medo de perder o emprego pode intensificar a insegurança e prejudicar a produtividade.

“Os RHs não têm que ter tabu de discutir saúde financeira. Levar informação e produtos de proteção financeira facilita o planejamento das pessoas e ajuda a reduzir essas preocupações”, defende o especialista.

(Com informações de g1)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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