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Luiz Marinho destacou a necessidade de garantir que os avanços tecnológicos estejam a serviço da melhoria das condições de vida

Na OIT, ministro do Trabalho defende regulação da IA, redução da jornada e sindicatos fortes

Nesta quarta-feira (10), durante participação na 114ª Conferência Internacional do Trabalho realizada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destacou a necessidade de garantir que os avanços tecnológicos estejam a serviço da melhoria das condições de vida dos trabalhadores.

Em seu discurso, o líder da pasta abordou temas como inteligência artificial (IA), redução da jornada de trabalho, valorização do emprego formal e fortalecimento do diálogo social. Esteve presente uma delegação da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) acompanhando o momento.

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Inteligência artificial e trabalho decente

Ao comentar o relatório apresentado pela direção da OIT sobre inteligência artificial e trabalho decente, Marinho ressaltou que os impactos das novas tecnologias sobre o mercado de trabalho não são inevitáveis, mas que dependem das decisões políticas e institucionais adotadas pelos países.

Segundo o ministro, o crescimento acelerado da inteligência artificial e dos sistemas de gestão baseados em algoritmos traz oportunidades para aumentar a produtividade. No entanto, também levanta preocupações sobre a intensificação do ritmo de trabalho, à redução da privacidade dos trabalhadores e ao agravamento das desigualdades sociais e digitais.

Marinho defendeu políticas públicas voltadas à democratização do acesso à tecnologia e à qualificação profissional, destacando iniciativas desenvolvidas pelo Ministério do Trabalho em parceria com empresas para preparar trabalhadores para as transformações do mercado.

Ganhos tecnológicos e redução da jornada

Para o ministro, o aumento da produtividade deve refletir em melhor qualidade de vida aos trabalhadores, preservando sua autonomia e dignidade.

“O Brasil traz a Genebra uma posição firme e alinhada às premissas de uma transição verdadeiramente humana. Defendemos que os ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial e pela automação não sirvam apenas para concentrar capital, mas que sejam revertidos em benefícios diretos para a classe trabalhadora. E a forma mais justa de distribuir essa riqueza tecnológica é garantir aos trabalhadores um salário digno, acesso à tecnologia e tempo. Um bom e justo ambiente de trabalho gera qualidade e produtividade”, afirmou.

Marinho destacou a discussão sobre a redução da jornada de trabalho, associando a pauta à necessidade de proteger a saúde mental dos trabalhadores diante das transformações tecnológicas e produtivas, apontando como um tema cada vez mais relevante nas relações de trabalho.

Segundo ele, os resultados alcançados nos últimos anos demonstram que crescimento econômico e proteção trabalhista podem caminhar lado a lado. A formalização do trabalho foi apresentada como um instrumento fundamental para ampliar direitos, fortalecer a proteção social e impulsionar a economia.

“O debate que hoje mobiliza a sociedade brasileira está em torno da redução da jornada. O governo do presidente Lula encaminhou e a Câmara já aprovou. Isto é o reflexo exato do que este relatório discute: a necessidade de garantir a saúde mental, o descanso, a convivência familiar e a qualidade de vida em um século que produz mais e de forma mais rápida. A tecnologia deve trabalhar para libertar o ser humano, não para escravizá-lo a uma lógica de vigilância ininterrupta e exaustão física e mental”, defendeu.

Sindicatos e diálogo social

Ao encerrar sua fala, o ministro enfatizou que as transformações no mundo do trabalho exigem diálogo permanente entre governos, trabalhadores e empregadores, defendendo o fortalecimento dos sindicatos, da negociação coletiva e das instituições democráticas como instrumentos capazes de garantir que os benefícios do progresso tecnológico sejam distribuídos de forma mais equilibrada.

Para ele, a participação social e o diálogo tripartite são fundamentais para construir soluções duradouras.

“Transformações e conquistas só são possíveis através de duas ferramentas indispensáveis: o diálogo social amplo e a defesa intransigente da democracia. Não há justiça social onde as instituições são enfraquecidas e onde a voz dos trabalhadores é silenciada. O fortalecimento dos sindicatos, a negociação coletiva e o respeito à pluralidade são as garantias de que o progresso tecnológico servirá ao bem comum. Com isso em vista, realizamos, no brasil, depois de muito tempo, a conferência nacional do trabalho, que teve como resultado um compromisso construído de maneira tripartite”, completou Luiz Marinho.

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