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Grupo de pessoas trabalhando em projeto

Mercado de trabalho aquecido permite mais confiança no emprego, aponta Datafolha

A percepção de segurança no mercado de trabalho voltou a crescer entre os brasileiros. Pesquisa do instituto Datafolha revela que 71% dos trabalhadores acreditam não correr risco de perder o emprego ou ficar sem trabalho atualmente. O índice representa um dos melhores resultados da série histórica iniciada há mais de uma década e reflete um cenário de desemprego em baixa e aumento da renda do trabalho.

Segundo o levantamento, apenas 9% afirmam enxergar alguma possibilidade de ficar sem ocupação, enquanto 19% consideram o risco elevado. Os números foram coletados nos dias 12 e 13 de maio, período em que a taxa de desocupação no país girava em torno de 6%, um dos menores níveis já registrados nos últimos anos.

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A pesquisa ouviu 1.312 pessoas com 16 anos ou mais, em 139 municípios brasileiros. Participaram trabalhadores formais, autônomos, empresários e pessoas ocupadas de maneira informal. Desempregados, estudantes e aposentados ficaram fora da amostra.

Otimismo cresce em paralelo à queda do desemprego

Os dados indicam que o sentimento de estabilidade profissional está diretamente ligado ao momento atual do mercado de trabalho. O percentual de trabalhadores confiantes só havia alcançado patamares semelhantes entre os anos de 2007 e 2014, período marcado por maior geração de empregos e expansão da renda.

O recorde histórico ocorreu em 2013, quando 75% dos entrevistados disseram não temer perder o trabalho. Naquele momento, a taxa de desemprego também era considerada baixa. Já em 2019, quando a desocupação estava acima de 11%, apenas 58% demonstravam essa mesma confiança.

A diferença também aparece quando os trabalhadores falam sobre medo do desemprego. Atualmente, 58% afirmam que ficar sem trabalho não é algo que lhes cause preocupação. Em 2019, esse percentual era de 41%.

Percepção de estabilidade difere entre grupos

Pessoas com 60 anos ou mais são as que mais demonstram segurança profissional, com 80% afirmando não enxergar risco de perder a ocupação.

Já entre trabalhadores com renda de até dois salários mínimos, o percentual de confiança cai para 65%, indicando maior vulnerabilidade econômica nas faixas de renda mais baixas.

Os dados também apontam que pessoas com maior escolaridade e renda elevada tendem a se sentir mais protegidas diante das oscilações econômicas. Entre quem recebe mais de dez salários mínimos, o medo do desemprego é significativamente menor, com 75% dos entrevistados despreocupados.

Mercado aquecido fortalece negociações coletivas

O cenário de baixa desocupação também impacta diretamente as negociações coletivas e os reajustes salariais. Dados do Dieese mostram que, no primeiro trimestre de 2026, 91% das negociações acompanhadas pela entidade garantiram aumentos acima da inflação, com ganho real médio de 1,89%.

Para especialistas em relações de trabalho, com maior oferta de vagas e menor medo da demissão, trabalhadores passam a ter mais confiança para reivindicar reajustes e melhores condições de jornada.

Apesar do cenário favorável, novas formas de contratação como a pejotização e o avanço do trabalho por aplicativos, criam uma sensação de facilidade de acesso ao mercado e influenciam nos resultados, mas nem sempre aumentam o poder de negociação.

Essa condição é explicada pela professora do Departamento de Economia da PUC-Rio, Renata Narita, como “economia gig”, sistema em que trabalhadores se envolvem em vagas freelancer, sob demanda ou por plataforma, como motoristas e entregadores.

“Uma parte dos respondentes já trabalha nesse setor, e eles não têm medo de perder emprego, pois a barreira de entrada é muito pequena”, afirma a especialista.

(Com informações de Folha de S.Paulo)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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