licenca-paternidade-politica-apoio-familias-trabalhadoras

Licença-paternidade ganha força como política de apoio às famílias trabalhadoras

A sanção da Lei 15.371/2026 no último mês é vista como um passo importante no reconhecimento de que os cuidados com os filhos não devem recair exclusivamente sobre as mulheres. A medida prevê a ampliação gradual da licença-paternidade no Brasil, passando dos atuais cinco dias para até 20 dias até o ano de 2029.

Especialistas apontam que a ampliação da licença-paternidade traz impactos diretos também para as mães, especialmente na redução da sobrecarga física, emocional e profissional enfrentada após o nascimento dos filhos.

LEIA: Ampliação da licença-paternidade; confira novas regras e prazos

O tema faz parte de um debate mais amplo sobre mercado de trabalho, saúde mental, produtividade e igualdade nas relações familiares, indicando que a maternidade continua impactando diretamente a trajetória profissional das mulheres, afetando renda, crescimento na carreira e permanência no mercado formal de trabalho.

A divisão mais equilibrada das tarefas de cuidado aparece como um dos caminhos para reduzir desigualdades históricas e sistêmicas. Assim, a participação mais ativa dos pais nos primeiros meses de vida da criança pode fortalecer vínculos familiares e aliviar a carga enfrentada pelas mães no cotidiano.

A ampliação da licença-paternidade também influencia a organização do trabalho dentro das famílias. Políticas desse tipo ajudam a modificar percepções culturais que ainda associam os cuidados domésticos e infantis quase exclusivamente às mulheres.

Dados do mercado de trabalho brasileiro mostram que a licença destinada aos pais ainda possui baixa adesão e pouca visibilidade, refletindo uma cultura que historicamente concentra os cuidados na figura materna. A desigualdade de gênero nas tarefas de cuidado continua profundamente presente.

Experiências internacionais também vêm sendo observadas por pesquisadores que estudam relações de trabalho e divisão de tarefas familiares. Na Dinamarca, por exemplo, o modelo de licença parental pode chegar a 48 semanas, incentivando a participação dos pais no cuidado dos filhos logo após o nascimento.

A ampliação da presença paterna nos cuidados cotidianos contribui para a transformação de padrões culturais e o entendimento de que a criação dos filhos deve ser uma responsabilidade compartilhada, representando além de um avanço dos direitos trabalhistas, uma ferramenta de promoção de igualdade social e qualidade de vida.

(Com informações da coluna “Licença-paternidade também é presente de Dia das Mães”, de Lorena Hakak, publicada originalmente em Folha de S.Paulo)

(Foto: Reprodução/Magnific)

Compartilhe: