O IPCA-15 de agosto registrou a maior queda para o índice em quatro anos, segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (26). A taxa ficou em -0,4%, depois de uma alta de 0,06% em julho.
A deflação, que ocorre quando os preços médios de bens e serviços recuam em determinado período, foi mais intensa do que a esperada pelo mercado. A previsão mediana dos analistas consultados pela Bloomberg era de queda de 0,32%.
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O resultado também representa a primeira deflação do IPCA-15 em um ano e a maior desde agosto de 2022, quando o índice havia recuado 0,73%.
Bônus de Itaipu reduz conta de luz
O principal fator responsável pela queda do IPCA-15 em agosto foi a redução da tarifa de energia elétrica, provocada pelo bônus de Itaipu. A conta de luz residencial ficou 6,25% mais barata no período.
A energia elétrica teve impacto negativo de 0,26 ponto percentual no índice, sendo a maior contribuição individual entre os itens pesquisados.
Com isso, o grupo Habitação apresentou a maior queda entre os nove grupos analisados pelo IBGE, com recuo de 1,41% e impacto negativo de 0,22 ponto percentual.
Passagens aéreas e combustíveis também caem
O grupo Transportes teve queda de 1% e foi o segundo principal responsável pela deflação de agosto.
As passagens aéreas ficaram 13,3% mais baratas. A redução ocorreu depois de altas de 7,24% em junho e 11,7% em julho, período marcado pelo aumento da procura por viagens de férias.
O preço das passagens aéreas teve impacto negativo de 0,12 ponto percentual no IPCA-15. Entre os itens que contribuíram para a queda dos preços também estão os combustíveis.
A gasolina recuou 1,23%, enquanto o etanol teve redução de 3,63%.
Alimentos registram segunda deflação seguida
O grupo Alimentação e Bebidas também ajudou a conter a inflação em agosto. Os preços recuaram 0,57%, marcando o segundo mês consecutivo de deflação. Em julho, a queda havia sido de 0,66%.
A alimentação consumida dentro de casa apresentou redução de 0,97%. Entre os produtos que mais ficaram baratos estão o tomate, com queda de 27,38%; a batata-inglesa, com recuo de 25,14%; a cenoura, que caiu 17,05%; e o café moído, com redução de 2,31%.
A redução dos preços de parte dos alimentos está relacionada, segundo analistas, a fatores sazonais, já que a oferta de determinados produtos in natura costuma aumentar no período.
Apesar das quedas, alguns alimentos ficaram mais caros. O leite longa vida subiu 3,41% e as frutas tiveram alta de 3,11%.
Já a alimentação fora de casa teve aumento de 0,42% em agosto, abaixo da alta de 0,55% registrada em julho.
Inflação acumulada fica abaixo do teto da meta
Com o resultado de agosto, a inflação medida pelo IPCA-15 acumulada em 12 meses desacelerou de 4,52% para 4,24%.
A taxa ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central para o IPCA. Isso não acontecia desde abril.
Apesar do resultado mais favorável, a avaliação de analistas é de que ainda há fatores que exigem atenção, especialmente diante da resistência dos preços de serviços.
O IPCA-15 é considerado uma prévia da inflação oficial porque é divulgado antes do IPCA. A principal diferença entre os dois índices está no período de coleta dos preços.
No caso do IPCA-15 de agosto, os valores foram apurados entre 16 de julho e 14 de agosto. Já o IPCA considera os preços observados durante o próprio mês de referência. Por isso, o resultado definitivo da inflação de agosto ainda será divulgado pelo IBGE, em 11 de setembro.
Projeções para a inflação continuam acima da meta
Após a divulgação do IPCA-15, a consultoria 4intelligence reduziu sua previsão para a inflação acumulada em 2026. A estimativa passou de 5,2% para 5,1%, ainda acima dos 4,26% registrados no ano anterior.
As projeções medianas do mercado financeiro, segundo o boletim Focus, indicam alta de 5,02% para o IPCA em 2026, também acima do teto de 4,5% da meta.
O cenário ocorre mesmo após o Banco Central reduzir a taxa básica de juros para 14% ao ano em agosto. O corte de 0,25 ponto percentual foi o quarto consecutivo.
Para o Comitê de Política Monetária (Copom), a inflação continua sofrendo pressão da demanda, o que mantém a necessidade de juros em patamar elevado.
Deflação traz alívio
A queda do IPCA-15 em agosto representa um alívio no curto prazo, principalmente para consumidores afetados pelos preços de energia, alimentos e transportes.
Para os trabalhadores, a desaceleração da inflação pode contribuir para preservar o poder de compra dos salários, especialmente quando ocorre em itens de consumo cotidiano, como alimentos, combustíveis e energia elétrica.
(Com informações de Folha de S.Paulo)
(Foto: Reprodução/Magnific)







