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Companhia decidiu eliminar completamente os cargos de chefia e adotar um sistema baseado na autogestão

Empresa sem chefes: modelo de autogestão aposta na autonomia para aumentar engajamento

A busca por ambientes de trabalho mais colaborativos e menos burocráticos tem levado algumas empresas a repensarem suas estruturas organizacionais. Na Dinamarca, uma companhia do setor de mobilidade elétrica decidiu eliminar completamente os cargos de chefia e adotar um sistema baseado na autogestão, no qual os próprios trabalhadores participam das decisões e da condução das atividades.

A iniciativa foi implementada pela Clever, empresa que opera estações de recarga para veículos elétricos. Em vez de uma estrutura tradicional com diferentes níveis hierárquicos, a organização passou a funcionar por meio de equipes autônomas responsáveis por definir funções, distribuir responsabilidades e acompanhar a execução dos projetos.

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Autonomia como ferramenta de desempenho

A transformação começou de forma gradual e teve como objetivo reduzir processos burocráticos, acelerar a tomada de decisões e ampliar a participação dos trabalhadores. A proposta ganhou força à medida que a empresa cresceu, culminando na eliminação total dos cargos de liderança formal.

Segundo os defensores do modelo, a descentralização das decisões permite que os profissionais contribuam de maneira mais ativa para os resultados da organização. A ideia é valorizar competências individuais e incentivar a criatividade coletiva, fatores considerados estratégicos em um cenário marcado pelos avanços tecnológicos e pela inteligência artificial.

“Em uma nova era em que a IA fará tudo com eficiência, será o talento humano que permitirá às empresas prosperar e inovar no futuro”, afirma o fundador da empresa, Casper Kirketerp-Møller.

A autogestão também busca fortalecer o senso de pertencimento dos trabalhadores. Em vez de apenas executar tarefas determinadas por superiores, os profissionais têm autonomia para atuar diretamente na definição de metas e na resolução de problemas.

Liberdade exige organização

A ausência de chefias não significa ausência de regras. Para que o modelo funcione, é necessário estabelecer mecanismos claros de governança, responsabilidades e formas de tomada de decisão.

“Ao contratar e distribuir funções, deixamos claro que esperamos que as pessoas assumam responsabilidade por sua função, por si mesmas e pela equipe”, disse Kirketerp-Møller.

A experiência tem sido bem recebida pelos trabalhadores. Uma pesquisa interna realizada pela empresa apontou elevados índices de satisfação, indicando que a maioria dos funcionários demonstra entusiasmo com o ambiente de trabalho.

A experiência dinamarquesa demonstra que modelos alternativos de gestão continuam despertando interesse em diferentes setores, especialmente em um momento em que empresas buscam equilibrar produtividade, inovação e bem-estar no ambiente de trabalho.

“As pessoas querem permanecer em seus empregos e querem que seu trabalho tenha significado. Elas querem autonomia”, defende o professor da Universidade de Roskilde e especialista em organizações autogeridas, Helge Hvid.

(Com informações de Folha de S.Paulo)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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