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IA sob controle de um número reduzido de grandes empresas pode aprofundar desigualdades

Concentração da IA pode ampliar desigualdades e ameaçar democracias, alerta Celso Amorim

O avanço da Inteligência Artificial (IA) sob o controle de um número reduzido de grandes empresas pode aprofundar desigualdades econômicas, ampliar a concentração de poder e gerar impactos sobre as democracias. O alerta foi feito pelo assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, durante participação na Conferência de Segurança Internacional do Forte, realizada em Portugal.

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Dados se tornam ativos estratégicos

Segundo o diplomata, a crescente influência das grandes empresas de tecnologia exige atenção dos governos e da sociedade. Para ele, a concentração do desenvolvimento e do controle das ferramentas de inteligência artificial em poucos países e corporações cria riscos que vão além da economia, alcançando também a política, a comunicação e o mundo do trabalho.

Amorim destacou que os Estados devem preservar sua capacidade de regulamentar setores estratégicos, especialmente diante da expansão das plataformas digitais e do papel que essas empresas exercem na circulação de informações e na formação da opinião pública.

“É o caso das big techs que recusam qualquer tipo de regulação. Hoje vemos como algumas empresas de inteligência artificial dominam setores inteiros, inclusive em países desenvolvidos”, afirmou.

O assessor presidencial também chamou atenção para a importância dos dados na economia digital contemporânea. Segundo ele, as informações coletadas por governos, empresas e plataformas passaram a ocupar posição central em decisões econômicas, políticas e de segurança.

“Sem proteção digital, não há autonomia decisória nem confiança institucional. Os dados passaram a ser um ativo econômico, político e militar. Eles alimentam modelos de inteligência artificial, orientam decisões estratégicas e permitem monitoramento em larga escala.”

Regulação das plataformas digitais

Ao abordar o papel das big techs, Amorim defendeu a construção de mecanismos regulatórios capazes de direcionar o desenvolvimento tecnológico para objetivos sociais mais amplos.

Na avaliação do diplomata, a inovação deve estar alinhada a metas relacionadas à redução das desigualdades, à promoção dos direitos humanos e à busca por soluções para desafios sociais e ambientais.

“Viver em um mundo em que há trilionários enquanto 673 milhões de pessoas passam fome simplesmente não é aceitável.”

IA e uso militar

O assessor alertou para os riscos representados pelo desenvolvimento de sistemas autônomos capazes de operar em cenários de guerra.

Segundo ele, a incorporação da IA em equipamentos militares levanta questões éticas e humanitárias relevantes, sobretudo pela possibilidade de distanciamento entre a tomada de decisões e as consequências humanas dos conflitos.

“O desenvolvimento de armas autônomas é um dos exemplos mais eloquentes do dilema moral que vivemos. O uso da força letal fica cada vez mais impessoal, sem risco iminente ao operador. O sentimento de culpa perante a morte e a destruição desaparece”, concluiu.

Amorim defendeu que o Brasil acompanhe as transformações tecnológicas e fortaleça sua capacidade de defesa, preservando sua autonomia estratégica e sua capacidade de dissuasão.

(Com informações de Agência Brasil)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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