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CSB presente: II CNT reforça diálogo social e debate redução da jornada de trabalho

Entre os dias 3 e 5 de março, São Paulo sediou a II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), reunindo representantes do governo federal, centrais sindicais e setor empresarial para discutir políticas públicas para o mundo do trabalho e fortalecer o diálogo social no país.

Realizada no Centro de Convenções do Anhembi, a conferência marca a retomada de um espaço institucional de construção coletiva entre trabalhadores, empregadores e governo, com o objetivo de formular diretrizes para a promoção do trabalho decente, fortalecimento da negociação coletiva e modernização das relações de trabalho no Brasil.

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O processo da conferência mobilizou todo o país ao longo de 2025, com etapas preparatórias realizadas nas 27 unidades federativas, que elegeram delegados e consolidaram propostas debatidas na etapa nacional.

Redução da jornada e fim da escala 6×1 no centro do debate

Um dos temas centrais do encontro foi a redução da jornada de trabalho e o debate sobre o fim da escala 6×1.

Durante a abertura da conferência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que eventuais mudanças na jornada devem ser construídas por meio de negociação entre trabalhadores, empresários e governo, respeitando as particularidades de cada setor da economia.

Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o Brasil já reúne condições econômicas para avançar no debate sobre a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, medida considerada um passo importante para superar o modelo da escala 6×1 e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

O presidente Lula destacou que a construção dessa solução deve buscar equilíbrio entre desenvolvimento econômico e justiça social.

“Queremos encontrar uma solução bem pensada, bem harmonizada”, afirmou o presidente ao defender um acordo construído entre as partes envolvidas.

A proposta tem como objetivo ampliar o tempo disponível para descanso, convivência familiar, estudo e lazer, sem comprometer a competitividade da economia brasileira.

Bancada dos trabalhadores representada pelas centrais sindicais

A bancada dos trabalhadores na conferência foi composta por representantes das principais centrais sindicais do país — CSB, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, Intersindical e Pública — que participaram do processo de debates e da construção das propostas discutidas no evento.
Para representar a bancada dos trabalhadores na cerimônia de abertura da conferência, as centrais indicaram Sergio Nobre, presidente da CUT.

Durante o evento, dirigentes sindicais reforçaram a importância do diálogo social e da negociação coletiva como instrumentos fundamentais para avançar na agenda de direitos trabalhistas e na construção de um modelo de desenvolvimento mais justo.

Delegação da CSB participa da conferência

A Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) participou da II Conferência Nacional do Trabalho com uma delegação de dirigentes sindicais, contribuindo para os debates e para a formulação de propostas voltadas ao fortalecimento da negociação coletiva, à promoção do trabalho decente e ao desenvolvimento econômico com inclusão social.

Para o presidente da CSB, Antonio Neto, o encontro representa uma oportunidade histórica para consolidar institucionalmente o diálogo social no Brasil.

“Esta II Conferência Nacional do Trabalho tem a oportunidade de consolidar o diálogo social como política de Estado. Mais do que um evento, pode ser um marco na institucionalização permanente do tripartismo no país, fortalecendo os canais de interlocução e a confiança entre as partes. O fortalecimento da negociação coletiva deve ser um dos eixos centrais desse novo ciclo. Países que valorizam a negociação setorial e coletiva alcançam maior equilíbrio nas relações de trabalho, reduzem a litigiosidade e promovem ambientes econômicos mais estáveis. A negociação coletiva é instrumento de modernização responsável, de adaptação tecnológica e de proteção social.”

A organização do evento contou com atuação destacada do secretário de Organização da CSB, Paulo de Oliveira, que esteve na linha de frente da articulação do evento, no engajamento da delegação e da mobilização das entidades filiadas, contribuindo para garantir uma presença ativa e qualificada da central nos debates da conferência.

“É igualmente essencial enfrentar o avanço da desregulação excessiva do mercado de trabalho. O trabalho humano não pode ser reduzido a um ativo financeiro sujeito apenas às variações de mercado. Ele carrega dignidade, identidade e função social. O equilíbrio entre dinamismo econômico e proteção social é condição para o desenvolvimento duradouro.”, avalia Paulo sobre o evento.

Conferência reafirma diálogo social como política pública

Ao longo dos três dias de debates, a conferência reafirmou que o diálogo social tripartite é fundamental para a construção de políticas públicas capazes de responder aos desafios do mundo do trabalho contemporâneo.

Segundo Marcos Perioto, Secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, a II Conferência Nacional do Trabalho representa um passo importante para fortalecer os direitos dos trabalhadores, ampliar a negociação coletiva e consolidar o diálogo social como método permanente de construção de políticas públicas no país.

A expectativa das centrais sindicais é que o processo iniciado com a conferência contribua para consolidar uma agenda de avanços nas relações de trabalho, incluindo a redução da jornada, a valorização da negociação coletiva e a promoção de condições dignas de trabalho para todos.

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