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Debate sobre a redução da jornada e fim da escala 6×1 mobiliza lideranças em Caxias do Sul

A Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) esteve presente na reunião da Frente Parlamentar pela Redução da Jornada de Trabalho e Fim da Escala 6×1, realizada na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul (RS), nesta quinta-feira (23). O evento reuniu lideranças sindicais, representantes políticos e trabalhadores para debater propostas relacionadas ao tema.

“Estamos aqui para ouvir a população e dar voz a quem sente na pele a rotina pesada desse modelo que sobrecarrega”, afirmou o presidente da Frente, vereador José de Abreu Jack (PDT).

Entre os pontos destacados como prioritários estão a redução da jornada sem diminuição salarial, a ampliação de direitos para todas as categorias e o fortalecimento da negociação coletiva.

“Aqui no estado muitas empresas já têm essa [escala] 5×2, mas o comércio e o transporte ainda são muito lesados. Defendemos que todos os trabalhadores tenham dignidade e descanso”, declarou o presidente da Federação dos Rodoviários do RS, Tacimer Kulmann da Silva.

O presidente da CSB, Antonio Neto, defendeu a necessidade de aprofundar o debate público, criticando os efeitos da Reforma Trabalhista de 2017 e apontando mudanças que, segundo ele, enfraqueceram as garantias dos trabalhadores e protegeram financeiramente as entidades patronais.

“Após a Reforma Trabalhista destruíram todas as garantias dos trabalhadores, mas do sindicato patronal não tiraram um tostão. Criou-se uma assimetria nas relações de trabalho em que os representantes patronais têm muito recurso enquanto todos os outros sindicatos estão à míngua”, declarou Neto.

Ao mencionar o legado de Getúlio Vargas, o sindicalista relembrou a construção histórica dos direitos trabalhistas e argumentou que avanços sociais costumam enfrentar resistência inicial, mas acabam consolidando melhorias ao longo do tempo.

Durante o encontro foram apresentados dados demonstrando que o debate sobre a redução da jornada de trabalho tem caráter estrutural, e que está em jogo a forma como o Brasil decidirá repartir os frutos do seu próprio desenvolvimento.

“Levantamento do Instituto Germinar de Santa Catarina mostrou que a perda do empresariado não passará de 1%. Não há justificativa econômica para clima de caos. A manutenção da jornada 6×1 é a manutenção do escravagismo em pleno século 21”, declarou o presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos no Estado do Rio Grande do Sul (Fessergs), Sérgio Arnoud

Cobrando maior celeridade nas decisões do Congresso Nacional, especialmente após o avanço recente na tramitação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que trata do tema na Câmara Federal, Neto afirma que adiar essas mudanças representaria negligência contra a dignidade da pessoa humana.

“É necessário que o Congresso assuma o compromisso de deliberar a aprovação de medidas que estabeleçam o fim da escala 6×1, a redução da jornada sem redução de salário e a valorização da negociação coletiva. Adiar esse avanço não seria prudência, mas omissão. Eficiência econômica e dignidade social não são opostas, mas inseparáveis”, defendeu o sindicalista.

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