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Ministro diz que ataques ao fim da 6×1 repetem resistência histórica a direitos trabalhistas

Durante entrevista concedida nesta terça-feira (12), o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, voltou a defender o fim da escala 6×1 e criticou o que classificou como “terrorismo econômico” promovido por setores contrários à redução da jornada de trabalho no Brasil. Segundo ele, a resistência ao modelo que prevê dois dias de descanso semanal ocorre porque a proposta afeta interesses de grupos influentes da economia.

Em participação no programa “Bom Dia, Ministro”, Boulos afirmou que parte das críticas à proposta busca atrasar a tramitação da medida no Congresso Nacional. O líder da pasta também criticou tentativas de estabelecer longos períodos de transição para a implementação da nova jornada, proposta que, segundo ele, não conta com apoio do governo federal.

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Reação negativa se repete

A proposta defendida pelo governo prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial e com garantia de dois dias de descanso aos trabalhadores.

Citando exemplos como as discussões envolvendo a criação do salário mínimo, das férias remuneradas e do 13º salário, Boulos diz que a reação de setores empresariais repete movimentos históricos registrados em momentos de ampliação de direitos trabalhistas no país.

“O que existe é um terrorismo econômico brutal nessa história, que, aliás, não é novo no Brasil, se você observar os arquivos dos jornais de 1940, quando Getúlio Vargas criou a lei do salário mínimo. Hoje, tem doido para tudo. Alguns até falam em acabar com o salário mínimo. Mas ninguém aceita isso”, argumentou o ministro.

Segundo ele, o debate sobre a redução da jornada precisa ocorrer com base em dados técnicos e impactos reais para a economia. Boulos também mencionou estudos que apontam impacto limitado nos custos operacionais das empresas com a redução da carga horária semanal, além de mencionar que jornadas excessivas podem afetar diretamente a produtividade e a saúde mental dos trabalhadores.

“Não é segredo para ninguém que um trabalhador cansado vai render menos. Tem havido uma explosão de casos de Burnout no trabalho, por ansiedade, depressão, exaustão. No ano passado, 500 mil trabalhadores foram afastados por problemas de saúde mental, por excesso de trabalho”, acrescentou.

Mulheres são as mais afetadas

Para Boulos, o impacto da escala 6×1 é diferente para mulheres trabalhadoras, que acumulam tarefas profissionais e tarefas domésticas, o que reduz o tempo efetivo de descanso mesmo nos dias de folga.

Na avaliação do governo, a mudança na jornada também pode representar uma forma de enfrentar desigualdades relacionadas à divisão do trabalho doméstico e ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

“A mulher trabalha na 6×1 e não tem nenhum dia de descanso, porque no único dia que deveria ser de descanso, ela trabalha em casa. (…) Quando a gente acaba com a 6×1, nós também estamos dando um respiro para as mulheres trabalhadoras deste país”, concluiu.

(Com informações de Agência Brasil)

(Foto: Letycia Bond/Agência Brasil)

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