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Movimento pelo fim da escala 6x1 foi construído pela sociedade brasileira e não imporá aumento da informalidade

Opinião: Quando faltam argumentos, sobra teatro; fim da escala 6×1 é resultado de mobilização histórica

Quando o argumento é raso, quando as justificativas não encontram respaldo nem na realidade concreta nem no tempo histórico, os neoliberais costumam recorrer a falsos dilemas ou a imagens discursivas que, espremidas por uma análise de conteúdo simples, nada dizem. Foi essa a sensação que tive ao ler o artigo “A mágica da semana de 5 dias (22/7)”, assinado pela colunista desta Folha Deirdre Nansen McCloskey, professora da Universidade de Illinois (EUA).

O ataque —que buscou ser espirituoso— à proposta de fim da cruel escala de trabalho 6×1 no Brasil mostrou-se totalmente fora de lugar no tempo e no espaço. Primeiro, porque a legislação que busca extinguir essa jornada não é fruto de um passe de mágica, como a economista norte-americana quis fazer crer. Conhecesse ela um pouco mais os processos sociais brasileiros, saberia que o debate é antigo no país —vem desde 1988— e que a aprovação na Câmara dos Deputados é resultado de um movimento construído por trabalhadores e trabalhadoras e que ganhou a sociedade.

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Ao contrário do que a professora tentou insinuar, o fim da 6×1, agora em tramitação no Senado Federal, não imporá aumento da informalidade. Pelo contrário: estudos em países onde escalas menores já vigoram apontam ganhos de produtividade, decorrentes justamente da melhora na qualidade de vida de quem trabalha —e não custa lembrar que menos exaustão significa menos afastamentos, menos rotatividade e mais saúde mental para quem sustenta a economia real com sua força de trabalho.

Outro argumento tosco é a tentativa de confundir o debate com categorias que operam em 7×7. Talvez a professora nunca tenha ouvido falar em escala e jornada de trabalho. Não, tampouco esses serviços serão interrompidos, como quis fazer crer uma representante da Fiesp em recente debate no Congresso. Serão reorganizados por negociação coletiva, como já ocorre hoje em inúmeros setores.

Mas a professora, cumprindo claramente um papel neste debate —o de defender interesses avessos a humanizar o mundo do trabalho no Brasil—, esquece de mencionar os ganhos evidentes em saúde e qualidade de vida. Fez como seus pares fizeram quando o país debateu férias, FGTS e salário mínimo: recorreu ao terror discursivo, caminho mais fácil quando faltam argumentos que não renunciem ao mínimo de humanidade que ainda lhes resta.

E a figura a que ela recorreu, comparando a legislação ao número pi como se isso provasse a impossibilidade de melhorar a realidade, também não faz o menor sentido. Números são representações de pontos numa reta; o valor de pi não é absoluto, tampouco exato, e, por isso, jamais o identificaremos por completo. Diferente é a realidade de milhares de trabalhadores e trabalhadoras que terão mais tempo com suas famílias, para se divertir, para viver. Isso, sim, é bastante concreto.

Por fim, o empresariado brasileiro tem que perder o medo de negociar com seus trabalhadores. Conversa e um bom diálogo evitam até guerra.

Por Luiz Marinho — Ministro do Trabalho e Emprego

(Conteúdo publicado originalmente em Folha de S.Paulo)

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

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