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Evento reúne lideranças para discutir e estabelecer parâmetros de segurança

ONU alerta para riscos da inteligência artificial e defende regras globais para proteger crianças

A proteção de crianças e adolescentes diante do avanço da inteligência artificial está em discussão no primeiro Diálogo Global da Organização das Nações Unidas (ONU). Realizado em Genebra nos dias 6 e 7 de julho, o evento reúne representantes de governos, especialistas e organizações para discutir formas de acompanhar a rápida expansão das novas tecnologias e estabelecer parâmetros de segurança.

O encontro defende que empresas desenvolvedoras de IA sejam responsabilizadas pela segurança das ferramentas antes de sua disponibilização ao público infantil.

LEIA: Como a inteligência artificial pode ampliar preconceitos e afetar trabalhadores

ONU defende governança global para a inteligência artificial

Na abertura do encontro, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a inteligência artificial avança em ritmo superior à capacidade de resposta de governos, empresas e até dos próprios desenvolvedores.

“Uma tecnologia que pode remodelar economias, transformar o mundo do trabalho, influenciar eleições e alterar o equilíbrio da segurança está sendo implantada mais rápido do que qualquer pessoa, incluindo aqueles que a desenvolvem, consegue acompanhar”, afirmou.

Guterres defendeu a criação de regras internacionais harmonizadas para que inovação e proteção caminhem juntas. Para ele, a inteligência artificial precisa ser acompanhada por mecanismos de governança capazes de reduzir riscos e ampliar a responsabilidade de quem desenvolve e opera essas ferramentas.

Crianças e adolescentes estão entre os grupos mais vulneráveis

A ONU demonstrou preocupação sobre o impacto da inteligência artificial na vida de crianças e adolescentes, incluindo o uso dessas ferramentas em ambientes de aprendizagem, relações sociais e interações privadas, muitas vezes antes de haver comprovação suficiente sobre sua segurança.

Foram citadas medidas para ampliar a proteção, como:

• realização de testes prévios antes do lançamento de sistemas voltados a crianças;
• proibição de ferramentas capazes de gerar imagens sexuais envolvendo menores;
• interrupção de conversas automatizadas quando houver sinais de sofrimento infantil;
• estabelecimento de regras internacionais específicas para proteger o público infantil.

A velocidade de expansão da IA foi apontada por Guterres como um fator de atenção, argumentando que enquanto a internet levou cerca de 15 anos para chegar a um bilhão de usuários, a inteligência artificial alcançou esse patamar em apenas dois anos.

Organizações cobram responsabilidade das empresas de tecnologia

Na véspera do encontro da ONU, uma coalizão com mais de 100 organizações internacionais divulgou um apelo por mudanças nas regras de desenvolvimento e uso da inteligência artificial.

A iniciativa, liderada pela 5Rights Foundation, defende que a responsabilidade pela segurança dos sistemas de IA não recaia sobre pais e responsáveis, mas sobre as empresas que criam e disponibilizam essas tecnologias.

Foram propostas a realização de testes obrigatórios de segurança, a aplicação de sanções financeiras a empresas que violem direitos de crianças e a proibição do uso comercial de imagens, vozes e dados biométricos de menores.

“As crianças nos deram um diagnóstico claro do problema. Elas não estão nos pedindo para bloquear a inovação em IA, mas também não deveríamos ter que limpar a bagunça depois que o dano já aconteceu”, explicou a diretora executiva da 5Rights Foundation, Leanda Barrington-Leach.

Debate também envolve trabalho, direitos e responsabilidade social

Embora a proteção infantil tenha sido um dos principais focos do encontro, a discussão sobre governança da inteligência artificial se relaciona diretamente ao mundo do trabalho. A ONU reconhece que a tecnologia pode transformar economias, alterar atividades profissionais e influenciar estruturas sociais.

Segundo a agência de notícias Reuters, as discussões sobre inteligência artificial devem continuar no próximo ano, quando será apresentado pela ONU um relatório científico mais abrangente sobre o tema. Também está prevista uma nova reunião global em Nova York.

(Com informações de Olhar Digital)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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