OIT estima que trabalho forçado gera lucro de US$ 150 bilhões por ano no mundo

Ganho per capita decorrente desse tipo de crime é mais alto nas economias desenvolvidas (US$ 34.000), seguido pelos países do Oriente Médio (US$ 15.000)

BRASÍLIA. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) calcula que o trabalho forçado gera na economia mundial lucro de US$ 150 bilhões por ano. O ganho per capita decorrente desse tipo de crime é mais alto nas economias desenvolvidas (US$ 34.000), seguido pelos países do Oriente Médio (US$ 15.000). Na região da Ásia-Pacífico, o lucro é de US$ 5.000 por vítima e na África, de US$ 3.900. As cifras constam de um estudo que a OIT divulga nesta terça no Brasil e foram calculadas com base na existência de 21 milhões de vítimas (homens, mulheres e crianças), em condições de trabalho análogas à escravidão e de exploração sexual, a partir da análise de dados econômicos do Banco Global 2012.

De acordo com o estudo, os lucros per capita são mais altos na exploração comercial sexual – o que pode ser explicado, de acordo com a OIT, pela demanda por esses serviços e preços que os clientes estão dispostos a pagar, associado a investimento e custo operacional baixo. Dois terços dos lucros do trabalho forçado foram gerados pela exploração sexual, resultando em cerca de US$ 99 bilhões ao ano. O cálculo considerou que os salários e o consumo intermediário representem cerca de 30% da receita total das vítimas de trabalho forçado nessa atividade.

As vítimas de trabalho forçado, incluindo serviço doméstico, agricultura e outras atividades econômicas geram US$ 51 bilhões de lucro ao ano. Deste valor, a agricultura, silvicultura e pesca respondem por lucro de US$ 9 bilhões ao ano. Em outras atividades econômicas, como construção, manufatura, mineração e serviços públicos (água, luz, gás), os ganhos foram estimados em US$ 34 bilhões ao ano.

O estudo conclui ainda que residências privadas que empregam trabalhadores domésticos sob condições de trabalho forçado podem economizar cerca de US$ 8 bilhões anualmente ao não remunerar ou remunerar insuficientemente seus trabalhadores. O valor foi estimado com base na diferença entre os salários que os trabalhadores domésticos deveriam receber e os salários reais pagos a esses trabalhadores em trabalho forçado. Com base nas informações do Banco de Dados Global 2012, esse grupo recebe em média 40% do ordenado que deveria receber.

Segundo a OIT, as pesquisas confirmam que o trabalho forçado é comum em setores e indústrias que atraem trabalhadores com pouca ou nenhuma qualificação, onde a demanda por mão de obra flutua e as condições de trabalho muitas vezes são degradantes. Um corte por gênero mostra que cerca de 55% de todas as vítimas são mulheres e meninas, tanto na exploração sexual, quanto no trabalho forçado.

A migração, de acordo com o organismo é outro fator de risco: cerca de 44% das vítimas haviam migrado. A OIT alerta que apesar de ter havido uma maior ação judicial no combate ao trabalho forçado e ao tráfico de pessoas nos últimos anos, para as empresas o risco continua baixo e os ganhos, elevados.

De acordo com o organismo, são necessárias medidas para fortalecer as leis e as políticas, além do reforço na fiscalização em setores com alto risco. Isto deve estar vinculado a um sistema de identificação precoce das vítimas e sua efetiva proteção. O acesso à educação e ao ensino técnico também pode evitar que, especialmente crianças, se tornem vítimas, além da necessidade de iniciativas que visem à inclusão social e ao combate à discriminação contra mulheres e meninas.

O estudo não traz dados específicos sobre o lucro auferido pelo trabalho forçado no Brasil, nem referentes a outros países, devido a diferenças de metodologias utilizadas para tratar do tema individualmente. Neste sentido, a OIT criou um grupo de trabalho, com objetivo de padronizar a coleta e o tratamento dos dados. O país foi escolhido para o lançamento do estudo porque na avaliação do organismo é uma referência no combate ao trabalho forçado.

Fonte: O Globo

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