JBS é acusada de trabalho escravo em MS via empresas terceirizadas

JBS é acusada de trabalho escravo – O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados (Sindaves) acusa a Seara – marca de carnes da JBS – de submeter funcionários terceirizados a condições degradantes em Sidrolândia (MS).

Além disso, a entidade sindical afirma que 15 trabalhadores indígenas foram encontrados em situação análoga à escravidão. Em resposta, a Seara afirmou que exigiu que o fornecedor cumprisse todas as regras trabalhistas assim que soube do caso.

LEIA: CSB, centrais e governo oficializam mesa de negociação permanente com servidores federais

As empresas terceirizadas citadas no processo são a Auto Fossa Raposão, Emanuel Apanha de Aves e o Grupo Domingues Movimentadora de Aves.

A Emanuel Apanha de Aves não retornou o contato da reportagem do Globo Rural. Antonio Domingues, identificado como dono das outras duas empresas, afirmou que desconhece a ação civil e o caso dos indígenas encontrados em situação análoga à escravidão.

O sindicato moveu uma ação civil pública na Vara do Trabalho Itinerante em Sidrolândia, na qual pede ressarcimento a mais de uma centena de trabalhadores e ex-funcionários da Seara por danos morais e existenciais.

Vice-presidente do Sindaves, Sérgio Bolzan afirma que a maioria dos trabalhadores têm carga horária de mais de 12 horas diárias. Além disso, as empresas não estariam cumprindo a interjornada de 11 horas – tempo mínimo entre o fim de um expediente e início do próximo.

“Eles saem daqui de Sidrolândia e vão mais de 100 quilômetros pegar frango. Muitas vezes chegam a trabalhar 14 horas”, disse Bolzan à equipe do Globo Rural.

O sindicato ainda denuncia que os trabalhadores não recebem adicionais por insalubridade em atividades de risco, não têm equipamento de proteção individual adequado para exercer algumas funções e são submetidos a condições precárias nas granjas.

“Cerca de 30% dos aviários não têm vestiário e refeitório. Eles têm que sentar no chão para comer, e não há onde esquentar a comida”, diz Bolzan. As instalações dos aviários também não possuem banheiros adequados nem espaços para troca de roupa de forma privativa.

Seara terceiriza “pega” do frango

A Seara terceiriza o processo de “pega” do frango – recolhimento e transporte de aves das granjas para os frigoríficos. A planta de Sidrolândia abate cerca de 200 mil aves por dia.

Bolzan afirma que a companhia tenta transferir a responsabilidade para as empresas terceirizadas, mas que é a JBS que estabelece a programação das rotas e jornadas. “Essa discussão já ocorreu várias vezes. Entramos em contato com a responsável pelo setor jurídico, e ela não deu retorno”, afirma.

Em abril, 15 trabalhadores indígenas foram flagrados em condições análogas à escravidão, denuncia o sindicalista. Os indígenas estavam alojados em uma casa na área urbana do município de Sidrolândia, sem espaço adequado para refeições.

Ainda segundo o sindicato, a JBS e as terceirizadas também não forneciam comida, água, utensílios de cozinha e itens de higiene pessoal.

Na ação civil, o Sindaves também alegou que a JBS não apresentou ao sindicato os planos de prevenção de riscos ambientais, gerenciamento de riscos e de controle médico de saúde ocupacional e nem as análises ergonômicas do trabalho.

Outro lado

Em nota, a Seara afirma que, assim que tomou conhecimento do caso dos indígenas, exigiu do fornecedor terceirizado o cumprimento das regras trabalhistas, incluindo alojamentos.

“A Seara reforça que mantém rígidos protocolos e controles em suas operações para garantir que todos os seus fornecedores cumpram suas obrigações legais e de bem-estar de seus funcionários, tais como fornecimento de EPIs, [equipamento de proteção individual] qualidade no transporte, segurança e condições de trabalho, entre outros”, afirma.

A companhia acrescenta que realiza vistorias técnicas para verificar todo o processo de apanha e da regularidade das empresas prestadoras de serviços.

(Com informações de Globo Rural)
(Foto: Reprodução)

Compartilhe:

Leia mais
painel negociação coletiva
Encontro Executiva Nacional CSB 2025: painel 4 – “Práticas antissindicais”; assista na íntegra
csb menor (39)
Encontro Executiva Nacional CSB 2025: painel 3 – “Negociação Coletiva”; assista na íntegra
csb menor (38)
Centrais sindicais protestam contra juros altos em dia de mais uma reunião do Copom
idh brasil
Brasil sobe cinco posições em ranking global de IDH, mas estagna em educação
painel serviço público encontra executiva nacional csb 2025
Encontro Executiva Nacional CSB 2025: painel 2 – “Serviço Público e papel do Estado”; assista
Design sem nome (65)
Agenda das centrais sindicais no Congresso tem redução da jornada como prioridade
Painel 1 conjuntura nacional encontro executiva csb
Encontro Executiva Nacional CSB 2025: painel 1 "Conjuntura Nacional" completo; assista
apresentações encontro csb
Documentos e apresentações do Encontro da Executiva Nacional da CSB 2025; acesse
restituição imposto de renda 2025
Restituição do Imposto de Renda 2025: quando sai o 1º lote e como consultar?
semana do trabalho
Ministério do Trabalho celebra Dia do Trabalhador com semana de eventos e serviços