O Encontro Nacional da Mulher Trabalhadora da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), ocorrido nos dias 26 e 27 de março, se consolidou como um espaço de escuta ativa, articulação e construção coletiva. Mais do que uma reunião formal, o evento reuniu participantes de diversas regiões do país, que compartilharam experiências, desafios e propostas, reforçando o protagonismo feminino dentro do movimento sindical.
A força desse diálogo ficou evidente na elaboração do relatório final da sessão deliberativa realizada no segundo e último dia do evento. O documento reúne propostas que vão além de reivindicações objetivas, refletindo trajetórias marcadas por resistência, sobrecarga e desigualdades, mas também por organização e de luta por avanços concretos.
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Em artigo publicado por Juliana Guaraldo Diniz, Diretora de Assuntos Previdenciários Municipais da Federação dos Servidores Públicos de Minas Gerais (FESMIG), a representante descreve o encontro como um momento de escuta e de transformação das demandas em ações concretas. Segundo Juliana, a CSB tem atuação estratégica nesse processo, com destaque ao papel do presidente, Antonio Neto, e da secretária nacional da Mulher Trabalhadora, Antonieta de Faria:
“É importante destacar o papel da CSB nesse processo, que, na pessoa de seu Presidente, Antonio Neto, que com seu olhar sempre generoso tem demonstrado compromisso com o fortalecimento da pauta das mulheres trabalhadoras. Da mesma forma, a atuação da Antonieta de Faria (Tieta), à frente da Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora, tem sido fundamental para garantir espaço, escuta e encaminhamento das demandas apresentadas.”
As discussões mostraram que as demandas das mulheres trabalhadoras ultrapassam o ambiente formal de trabalho. Questões como maternidade, saúde mental, violência de gênero e a sobrecarga com responsabilidades de cuidado foram apontadas como centrais. Dessa forma, emergiu a necessidade de reconhecimento dessas realidades e da construção de políticas mais amplas e inclusivas.
Um dos pontos de destaque foi a decisão de manter no relatório propostas que poderiam ser consideradas fora do escopo sindical. A escolha sinaliza uma mudança de perspectiva: considerar que a vida das trabalhadoras é atravessada por fatores sociais, econômicos e institucionais que não podem ser ignorados pelo movimento sindical.
Entre as principais demandas apresentadas estão a criação de políticas que garantam às mães o acompanhamento de seus filhos sem prejuízos, maior atenção às mulheres do campo, fortalecimento de redes de acolhimento contra a violência e implementação de programas de saúde mental com recorte de gênero. Também foi ressaltada a importância de investir na formação de novas lideranças e incentivar a participação de mulheres jovens, assegurando a continuidade e a renovação do movimento sindical no âmbito feminino.
Outro aspecto relevante foi o fortalecimento do apoio entre as próprias mulheres. As participantes destacaram a necessidade de romper padrões impostos, rever comportamentos internalizados e construir relações baseadas em solidariedade e cooperação.
O encontro também evidenciou a importância do compromisso institucional para o avanço dessas pautas, destacando a atuação de lideranças e da estrutura organizacional responsável por garantir espaço e encaminhamento das demandas.
Ao final, o evento reforçou uma mensagem central: não basta ampliar a presença feminina nos espaços sindicais, é necessário transformá-los. A mobilização reafirma que fortalecer as mulheres trabalhadoras significa fortalecer toda a classe trabalhadora, ampliando perspectivas e construindo um movimento sindical mais justo, representativo e conectado com a realidade.
(Com informações de FESMIG)







