Pessoas LGBTQIA+ enfrentam mais dificuldades de acesso e permanência no mercado de trabalho brasileiro do que a população em geral. É o que mostra um estudo divulgado pelo Banco Mundial, que identificou índices mais altos de desemprego, informalidade e inatividade entre trabalhadores LGBTQIA+ no país.
A pesquisa ouviu 11.231 pessoas em todas as regiões do Brasil ao longo de três meses e buscou medir os impactos econômicos e sociais da exclusão dessa população no ambiente profissional. Segundo o levantamento, a desigualdade no mercado de trabalho gera perdas econômicas anuais estimadas em R$ 94,4 bilhões, valor que representa quase 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
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Desemprego entre LGBTQIA+ é quase o dobro da média nacional
De acordo com os dados apresentados, a taxa de desemprego entre pessoas LGBTQIA+ chega a 15,2%, enquanto a média da população geral é de 7,7%. O estudo também aponta índices maiores de inatividade econômica e trabalho informal.
Entre trabalhadores LGBTQIA+, 46% atuam na informalidade, percentual superior ao registrado na população em geral, que é de 40%. Já a taxa de inatividade atinge 37,4%, acima dos 33,4% observados no restante da população.
Os dados reforçam um cenário em que a exclusão profissional e o preconceito impactam diretamente o acesso ao emprego formal e às oportunidades de crescimento profissional.
Preconceito afasta profissionais de vagas de emprego
O levantamento também identificou que o receio de discriminação influencia diretamente a relação de trabalhadores LGBTQIA+ com o mercado de trabalho. Segundo a pesquisa, sete em cada dez profissionais deixam de participar de processos seletivos ou desistem de oportunidades devido à preocupação com a cultura das empresas e com a segurança psicológica no ambiente profissional.
O estudo aponta que a discriminação ocorre principalmente durante recrutamentos e entrevistas, envolvendo fatores como identidade de gênero, expressão de gênero e aparência.
Relatos reunidos na pesquisa mostram que muitas pessoas LGBTQIA+ enfrentam barreiras já nas primeiras etapas de contratação, mesmo quando possuem experiência profissional e qualificação compatíveis com as vagas disputadas.
Trabalho informal como alternativa
Diante das dificuldades de inserção no emprego formal, o trabalho informal e autônomo aparece como alternativa para parte da população LGBTQIA+.
O estudo mostra que 30% dos trabalhadores LGBTQIA+ atuam de forma autônoma, índice superior ao observado na média nacional. Para pesquisadores e organizações ligadas ao tema, a informalidade acaba sendo uma saída para escapar de ambientes considerados hostis ou discriminatórios.
Especialistas ouvidos na pesquisa avaliam que a exclusão profissional não afeta apenas indivíduos, mas também a economia do país, reduzindo produtividade, renda e participação no mercado formal de trabalho.
Discriminação no ambiente profissional afeta saúde mental
Além das dificuldades de contratação, a pesquisa destaca que trabalhadores LGBTQIA+ relatam experiências frequentes de preconceito dentro das empresas.
Segundo o levantamento, 72,7% dos entrevistados afirmaram já ter sofrido discriminação no ambiente de trabalho. Outros 64% relataram episódios repetidos de preconceito, com impactos negativos sobre desempenho profissional, permanência no emprego e saúde mental.
Os relatos incluem situações como questionamento constante da competência profissional, pressão para ocultar a identidade LGBTQIA+, comentários invasivos e necessidade de adaptação a padrões de gênero considerados “tradicionais”.
As experiências compartilhadas pela comunidade podem provocar exaustão emocional, ansiedade, trauma e burnout, agravando o desgaste psicológico dos trabalhadores expostos continuamente a ambientes hostis.
A divulgação do estudo exibe a necessidade de discutir políticas de diversidade e mecanismos de proteção contra práticas discriminatórias no ambiente de trabalho, além da defesa da ampliação da inclusão no mercado formal para a redução das desigualdades.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Magnific)







