Segundo a decisão publicada no Diário Oficial da União na última segunda-feira (06), empresas de todo o país deverão informar os trabalhadores sobre campanhas de vacinação contra o HPV e informações de acesso a serviços de diagnósticos de cânceres de mama, próstata e de colo do útero. A medida altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e passa a incluir esta obrigação ao empregador.
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Como a condição afeta os trabalhadores?
Afetando as mucosas e a pele, o papilomavírus humano (HPV) compreende mais de 20 subtipos e é a Infecção Sexualmente Transmissível (IST) mais comum no mundo. No Brasil, estima-se que de 9 a 10 milhões de pessoas estejam infectadas. Parte dos subtipos não causa complicações, mas outros despertam alerta pela possibilidade de provocar tipos de cânceres, como o de mama, colorretal, garganta, vulva e, sobretudo, a infecção persistente do colo de útero.
Ser portador de um subtipo de HPV não significa que a pessoa terá câncer, mas sim, indica um marcador de risco e necessidade de estar atento para o surgimento de lesões. Conhecidos como “HPV de alto risco”, os subtipos mais relacionados ao desenvolvimento de cânceres são:
- Tipo 16 (subtipo mais prevalente associado ao câncer de mama, colo de útero e colorretal);
- Tipo 18 (subtipo mais prevalente associado ao câncer de colo de útero e colorretal);
- Tipo 31;
- Tipo 33;
- Tipo 35;
- Tipo 39;
- Tipo 45;
- Tipo 51;
- Tipo 52;
- Tipo 56;
- Tipo 58;
- Tipo 59;
- Tipo 68;
- Tipo 73;
- Tipo 82.
Mulheres são as mais afetadas
Apesar de poderem acometer qualquer pessoa, os cânceres relacionados ao HPV atingem mais as mulheres pela inflamação persistente e progressiva do colo de útero, vulva, vagina e mama. Mesmo que a infecção pelo HPV não se expresse como doença, a pessoa ainda podem ser um vetor do vírus e infectar outras.
Existem vacinas imunizantes disponíveis no Sistema Único de Saúde e em redes privadas, que servem tanto para prevenir a infecção pelo HPV, quanto para evitar o desenvolvimento de cânceres por indivíduos infectados. Assim, qualquer pessoa, infectada ou não, pode receber o imunizante, pois a vacina previne contra eventuais complicações da doença.
Segundo um estudo publicado em fevereiro deste ano pela revista Ciência & Saúde Coletiva, mais de um quarto das adolescentes brasileiras não receberam nenhuma dose da vacina que protege contra a principal causa do câncer de colo de útero e de mama. Além disso, o estudo demonstrou que há diferenças regionais que influenciam na imunização de meninas entre os estados federativos.
No Espírito Santo, por exemplo, 17,3% das adolescentes não foram vacinadas, enquanto no Rio Grande do Norte o percentual atinge 34,2%. Em regiões como Mato Grosso do Sul e Bahia, adolescentes de famílias com maior nível socioeconômico apresentaram menores taxas de vacinação.
De acordo com Fernando Wehrmeister, pesquisador da Universidade Federal de Pelotas e um dos autores do estudo, esse dado por ser explicado pela circulação de informações falsas sobre vacinas, que causa medo e incerteza, impactando na adesão da população sobre campanhas de vacinação.
“Desigualdades regionais existem no Brasil em quase todos os indicadores de saúde, e não seria diferente nesse caso. Vários aspectos influenciam essa desigualdade regional, como organização dos serviços de saúde, distância das estruturas de saúde, falta de profissionais e financiamento insuficiente”, explica o pesquisador.
Importância da alteração na CLT para os trabalhadores
A nova alteração na CLT indica que será de responsabilidade das empresas informar os trabalhadores sobre campanhas de vacinação e sobre o acesso a serviços de diagnóstico de cânceres relacionados ao HPV.
A medida deve impactar positivamente toda a população, combatendo a desinformação sobre vacinas e permitindo que mais pessoas sejam vacinadas. A respeito de informações sobre o diagnóstico, as empresas deverão comunicar formas de identificar a doença, incluindo exames de DNA do HPV, avaliação clínica das verrugas e o exame papanicolau (para casos de câncer de colo de útero, vagina e vulva).
A iniciativa também deve aumentar a proteção de adolescentes contra o HPV, pois ao comunicar os trabalhadores, a informação pode ser transmitida para os demais membros das famílias através de conversas cotidianas interpessoais, ajudando a reduzir, futuramente, a incidência de cânceres associados ao papilomavírus humano, sobretudo em meninas e mulheres.
(Com informações de Metrópoles)
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)







