Acordos perdem força e salários têm ganho de 0,1% em março

Com o aumento da inflação em março, ficou mais difícil conseguir aumento real de salário nas convenções e acordos coletivos, segundo dados do Boletim Salariômetro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Além de o reajuste real ter sido menor que nos meses anteriores, um percentual maior de acordos nem sequer conseguiu a reposição da inflação no período.

Em março, a mediana dos aumentos nominais foi de 4%, para uma inflação acumulada em 12 meses de 3,9%, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Com isso, o aumento real foi de apenas 0,1%. Em fevereiro, havia sido de 0,4% e, em janeiro, de 0,7%.

A proporção de reajustes acima do INPC acumulado foi de apenas 63%, contra uma média de 75% nos últimos 12 meses. Já o percentual daqueles que não conseguiram repor a inflação do período foi de 26,7%, ante média de 9,8% em 12 meses. Os dados são do sistema Mediador, do Ministério da Economia.

A fragilidade da recuperação da economia e do mercado de trabalho está por trás desses números mais fracos. “Com a inflação acumulada 0,3 ponto acima da registrada no mês anterior, ficou mais difícil conseguir a reposição em março. Reduziu-se espaço para aumentos reais”, diz a Fipe, em relatório.

Com o esperado aumento do INPC nos próximos meses, a Fipe estima taxa acumulada próxima de 5% em maio, o que indica que a dificuldade das categorias em obter aumento real deve continuar ao menos no curto prazo. A Fipe estima que em julho, a inflação acumulada em 12 meses deva ceder para 3,6% para voltar a subir e fechar o ano em 4,4%.

O piso salarial mediano negociado pelas categorias profissionais em março chegou a R$ 1.157, 16% acima do salário mínimo, valor abaixo da média dos 12 meses anteriores, de R$ 1.205 mensais.

A Fipe observa que a conclusão de convenções coletivas em 2019 continua crescendo e se aproximando do nível anterior à reforma trabalhista. Nos acordos coletivos, porém, a dificuldade de fechamento continua. O acordo é firmado entre entidade sindical de trabalhadores e uma empresa. Já a convenção, mais abrangente, envolve sindicatos de trabalhadores e patronais. Foram fechados 310 convenções no primeiro trimestre (355 no mesmo período em 2018) e 2.141 acordos (3.090 no mesmo trimestre do ano passado.

Valor Econômico

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