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Mulheres da CSB participaram de agenda de formação voltada à negociação coletiva e à igualdade de gênero

CSB fortalece igualdade de gênero em curso de formação do Ministério das Mulheres

Mulheres representantes da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) participaram, em Brasília, de uma agenda de formação e troca de experiências voltada à autonomia econômica das mulheres, à negociação coletiva e à igualdade de gênero no mundo do trabalho. O chamado “Curso Nacional de Negociação Coletiva e Igualdade de Gênero no Mundo do Trabalho” foi promovido pelo Ministério das Mulheres através da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica (SENAEC), com início em novembro de 2025 e continuidade em junho de 2026.

As atividades reuniram dirigentes das centrais sindicais e reforçaram o papel dos sindicatos na construção de relações profissionais mais justas, inclusivas e democráticas. Pela CSB estiveram presentes a secretária nacional e a 1ª secretária nacional da Mulher Trabalhadora, Antonieta de Faria e Márcia Egea; Maria Abadia de Souza e Juliana Guaraldo, da Federação dos Servidores Municipais e Estaduais de Minas Gerais (Fesmig); Liduina Maya, do Sindicato Nacional dos Oficiais de Justiça Federais (Sindojaf); Clarice Galvão, presidente da Federação dos Municipários do Estado do Rio Grande do Sul (Femergs); Erenilda de Assis, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cristalina (GO); Dirce Aida, presidente do Sindacs-ace/MG; e Sandra Bueno, diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação, setorial de São Paulo (Sindpd-SP).

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Negociação coletiva como instrumento de igualdade

Focando no tema da negociação coletiva com base nas convenções 87 e 98 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o primeiro módulo do curso foi apresentado em novembro do último ano.

A convenção 87, de 1948, trata sobre a liberdade sindical e proteção do direito sindical. Já a convenção 98 data de 1949 e foi ratificada no Brasil em 1952, tratando do direito à organização sindical e negociação coletiva.

Durante a formação, as dirigentes aprofundaram o debate sobre como acordos e convenções coletivas podem contribuir para enfrentar desigualdades entre mulheres e homens no ambiente profissional. A partir da perspectiva de gênero, a negociação coletiva deixa de ser apenas um mecanismo de solução de conflitos e passa a ser também uma ferramenta para ampliar direitos, corrigir distorções e garantir melhores condições de trabalho.

Durante o curso, foi destacado que a negociação coletiva permite que trabalhadoras e trabalhadores participem da definição de condições, incluindo jornada, remuneração, benefícios e proteção no ambiente de trabalho. Quando aplicada com atenção às desigualdades de gênero, pode abrir caminho para cláusulas voltadas à igualdade salarial, ao combate ao assédio, à promoção profissional e à inclusão de mulheres em espaços de liderança.

A formação também abordou conceitos fundamentais sobre igualdade de gênero no trabalho, como o acesso igualitário ao emprego, remuneração equivalente para funções de igual valor, oportunidades de capacitação e promoção, além da proteção contra discriminação e assédio.

Desigualdades ainda marcam o mercado de trabalho

O segundo módulo da formação ocorreu entre os dias 29 de junho e 2 de julho, tratando da construção de uma agenda sindical baseada em indicadores de desigualdade. O material compartilhado aponta que as diferenças entre mulheres e homens no mercado de trabalho são estruturais e aparecem em vários aspectos, como desemprego, salários, ocupações e acesso a cargos de comando.

O curso destacou que as mulheres enfrentam taxas de desemprego superiores às dos homens. No quarto trimestre de 2025, por exemplo, a taxa feminina chegou a 6,2%, enquanto a masculina ficou em torno de 4,2%. No caso das mulheres negras, a situação é ainda mais grave, com índice que alcança o dobro da taxa registrada entre os homens.

A desigualdade salarial também foi apontada como um desafio central. As mulheres receberam, em média, 21% a menos que os homens no mercado de trabalho brasileiro. Mesmo entre trabalhadoras com ensino superior, a diferença permaneceu expressiva: em 2025, elas ganharam, em média, 35% menos que homens com o mesmo nível de escolaridade.

Chamada de “segregação ocupacional”, a situação demonstra que mulheres seguem concentradas em atividades ligadas a limpeza, educação, comércio e serviços gerais, enquanto os homens aparecem com maior presença em áreas como transporte, indústria e construção civil. Essa divisão limita oportunidades, influencia a renda e dificulta o avanço profissional feminino.

Autonomia econômica e participação sindical

A atividade de terça-feira (30) contou com a participação da secretária nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, Joana Célia dos Passos. Durante o encontro, ela destacou que fortalecer a independência financeira das mulheres é uma condição importante para reduzir desigualdades e construir uma sociedade mais justa.

As dirigentes da CSB também compartilharam experiências de suas categorias e relataram obstáculos enfrentados pelas mulheres tanto nos locais de trabalho quanto na militância sindical. A presença feminina nas mesas de negociação foi apontada como essencial para que as demandas das trabalhadoras sejam consideradas na elaboração de acordos coletivos.

A dupla jornada também apareceu como um dos temas relevantes. O material apresentado pelo Ministério das Mulheres indica que as mulheres dedicam, em média, 21 horas semanais aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas. Essa sobrecarga impacta a disponibilidade para o trabalho remunerado, para a qualificação profissional e para a atuação em espaços de decisão.

Para a CSB, ampliar a organização sindical das mulheres, fortalecer a formação de lideranças e incluir a perspectiva de gênero nas negociações coletivas são medidas fundamentais para transformar a realidade do trabalho.

“O curso tratou de nos preparar para sentarmos à mesa nas negociações coletivas, com pautas de gênero e políticas de igualdade. O avanço da igualdade entre mulheres e homens exige ações permanentes no cotidiano das relações profissionais e nos processos de negociação conduzidos pelos sindicatos”, afirma a secretária nacional da Mulher Trabalhadora da CSB, Antonieta de Faria.

Joana Célia dos Passos, do Ministério das Mulheres, e Antonieta de Faria, da CSB.

Plano Safra da Agricultura Familiar

As mulheres da CSB participaram ainda do lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026-2027, anunciado pelo governo federal na última quinta-feira (2). Considerando crédito, seguro agrícola, compras públicas, assistência técnica, extensão rural e outras iniciativas, o novo ciclo deverá movimentar R$ 97,3 bilhões.

O programa busca ampliar a produção de alimentos, estimular práticas sustentáveis e melhorar as condições de trabalho e renda das famílias que vivem no campo, além de também contemplar linhas voltadas à agroecologia, irrigação sustentável, adaptação climática, conectividade, acessibilidade e implantação de quintais produtivos.

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