Na tarde desta terça-feira (26), uma comitiva da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) esteve na Câmara dos Deputados durante audiência pública para discutir as propostas de redução da jornada e fim da escala 6×1. A Comissão Especial recebeu representantes de centrais sindicais e movimentos sociais para ampliar o debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que trata da redução da carga horária de trabalho semanal.
A reunião integra uma série de encontros organizados para subsidiar a análise das propostas em tramitação, ampliando a mobilização de entidades sindicais em torno da pauta. Segundo o cronograma, a votação da proposta na Comissão deve ocorrer nesta quarta-feira (27) e ir para o plenário até quinta-feira.
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Debate envolve qualidade de vida e direitos trabalhistas
Durante a audiência, presidente do Sindicato dos Municipários de Candiota (RS) e vereador no município, Marcelo Belmudes, participou do debate representando o presidente da CSB, Antonio Neto. Ele começou dizendo que os trabalhadores brasileiros enfrentam rotinas exaustivas e reivindicou mudanças que garantam mais equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Segundo Belmudes, a defesa do fim da escala 6×1 está ligada à busca por melhores condições de vida e à preservação da saúde física e mental dos trabalhadores. O representante sindical destacou que muitos profissionais têm dificuldade para conciliar trabalho, convivência familiar, descanso e qualificação profissional diante das jornadas atuais.
“A luta pelo fim da escala 6×1 não é radical. Radical é uma pessoa trabalhar seis dias seguidos e ter apenas um dia para tentar resolver toda a sua vida. Estamos falando do pai que quer acompanhar o crescimento do filho, da mãe que quer mais tempo com a sua família, do jovem que precisa estudar para se qualificar, do trabalhador que sonha em ter saúde física e mental”, declarou.
O dirigente também avaliou que a compreensão entre o governo federal e a Câmara representa um passo importante, prevendo uma etapa inicial com 42 horas semanais antes da implementação definitiva das 40 horas, mantendo os salários integrais.
“A CSB reconhece a importância do diálogo. O entendimento construído na Câmara representa um avanço histórico para o Brasil, porque não estamos falando apenas de horas de trabalho, estamos falando de vida. Essa luta não é apenas das centrais sindicais, é do povo trabalhador”, afirmou.
A audiência pública reforçou o posicionamento das centrais sindicais de que a redução da jornada não deve ser tratada apenas como uma questão econômica, mas também social.
Belmudes associou a pauta à trajetória histórica das conquistas trabalhistas no Brasil, citando direitos como férias remuneradas, 13º salário e limitação da jornada diária como avanços obtidos por meio da mobilização sindical.
O representante afirmou que o debate sobre jornadas menores acompanha discussões já realizadas em outros países, onde mudanças na carga horária foram associadas ao aumento da produtividade e ao fortalecimento das relações de trabalho.
“Nenhum direito trabalhista caiu do céu. Foi por luta que conquistamos férias, que conquistamos o 13º salário, que conquistamos a jornada de oito horas. E será essa luta que vai conquistar também o fim da escala 6×1. A experiência internacional já mostrou que reduzir a jornada melhora a produtividade, reduz o adoecimento e fortalece a economia. O Brasil precisa avançar nessa discussão. Por isso, sigamos mobilizados até a aprovação dessa PEC aqui na Câmara e no Senado”, completou o vereador.

(Foto: Divulgação/CSB)







