As centrais sindicais brasileiras decidiram adotar, em 2026, uma nova estratégia para o 1º de Maio: a descentralização dos atos em todo o país. A decisão foi tomada em reunião realizada nesta segunda-feira (16), na sede da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), em São Paulo, e marca um movimento político e organizativo voltado à ampliação da mobilização nas bases e à massificação das pautas da classe trabalhadora.
Participaram do encontro dirigentes da CSB, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central Pública e Intersindical. Além da definição sobre o 1º de Maio, as entidades avançaram na organização da Plenária e da Marcha da Classe Trabalhadora, marcada para o dia 15 de abril, em Brasília, com expectativa de reunir cerca de 10 mil trabalhadores de todas as regiões do país.
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A orientação das centrais é que sindicatos, federações e confederações realizem atos diretamente em suas bases, promovendo atividades nos locais de trabalho, bairros e regiões onde atuam. A proposta busca ampliar o alcance das mobilizações, fortalecer o diálogo direto com os trabalhadores e dar maior visibilidade às reivindicações do movimento sindical.
Paralelamente, a agenda nacional terá como ponto central a mobilização em Brasília, com a realização de uma grande marcha e a entrega da Pauta da Classe Trabalhadora aos presidentes dos Três Poderes e às principais instituições do país.
Como parte da estratégia, também será intensificada a articulação com movimentos populares e estudantis, ampliando o caráter social e democrático da jornada de lutas.
“A participação dos trabalhadores, dos sindicatos e de todas as entidades filiadas à CSB na Marcha em Brasília é absolutamente fundamental. É na mobilização, com presença real e organizada, que conseguimos dar peso às nossas reivindicações. Sem pressão social, sem o ‘calor no pescoço’ do Congresso Nacional, será muito difícil avançar na pauta da classe trabalhadora. É hora de estarmos juntos, nas ruas, defendendo nossos direitos e o futuro do trabalho no Brasil”, afirmou Antonio Neto, presidente da CSB.
Entre as principais bandeiras que orientarão as mobilizações estão a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, o fim da escala 6×1, a geração de trabalho decente, o fortalecimento da negociação coletiva e o combate à pejotização.

As centrais também destacam a importância de pautas sociais, como o enfrentamento à violência contra as mulheres e ao feminicídio, reforçando o compromisso com uma agenda mais ampla de justiça social.
A partir de maio, será lançado nas capitais brasileiras o documento consolidado com a Pauta da Classe Trabalhadora prioritário para 2026 e para o quadriênio 2027 a 2030, que orientará a atuação sindical no próximo ciclo político.
A decisão de descentralizar os atos representa uma mudança importante na forma de organização do 1º de Maio, tradicionalmente marcado por grandes eventos unificados. Agora, o objetivo é alcançar maior capilaridade, envolver mais trabalhadores e fortalecer a pressão social em um momento decisivo para a agenda trabalhista no país.
Para Álvaro Egea, secretário-geral da CSB a nova estratégia dialoga com a necessidade de ampliar a presença do movimento sindical no cotidiano dos trabalhadores.
“A decisão de descentralizar o 1º de Maio é, acima de tudo, uma decisão estratégica. Queremos levar a mobilização para onde o trabalhador está, fortalecer a organização nas bases e ampliar a consciência coletiva sobre as pautas que estão em jogo. É assim que vamos construir força social para avançar na redução da jornada, no fim da escala 6×1 e na defesa do trabalho digno no Brasil.”
Com a preparação da Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília e a realização de centenas de atos em todo o país, as centrais sindicais apostam em uma mobilização mais ampla, democrática e enraizada, reafirmando o protagonismo da classe trabalhadora na construção de um Brasil mais justo e com mais direitos.
(Foto: Divulgação/CSB)







