TCU investiga Campos Neto por fala sobre terceirizar gestão de ativos brasileiros

TCU investiga Campos Neto – O Tribunal de Contas da União (TCU) junto ao Ministério Público de Contas abriu uma investigação contra o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por uma declaração a respeito da possibilidade de terceirizar a gestão dos ativos controlados pela autoridade monetária do país, que é o caso das reservas internacionais brasileiras.

A ação foi aberta pelo subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, que argumentou que a possibilidade apontada por Campos Neto oferece riscos ao país, como “não conseguir honrar seus compromissos financeiros”, e é uma atividade “tipicamente estatal”, o que não permite a interferência do setor privado. Para Furtado, a ação poderia até mesmo ameaçar a soberania nacional.

“Diante de todos os riscos envolvidos, no meu entender, é inadmissível terceirizar a gestão de ativos do Banco Central especialmente com relação à administração das reservas internacionais do Brasil. A referida possibilidade reclama, pois, a obrigatória e pronta atuação do Tribunal de Contas da União, de forma a se determinar a detida e minuciosa apuração dos fatos”, diz o documento assinado por Furtado.

Campos Neto falou sobre terceirizar a gestão de ativos do BC na última quinta-feira (20), durante entrevista ao canal da gestora financeira BlackRock Brasil.

“A gente teve um programa grande de gestão terceirizada. Hoje, grande parte da gestão não é terceirizada, mas a gente está aberto a fazer a gestão terceirizada, principalmente porque a gente está olhando novas classes de ativos”, disse ele na ocasião.

Segundo o atual presidente do BC, uma hipótese seria utilizar a gestão externa de recursos para administrar “ativos novos”.

O presidente da CSB, Antonio Neto, criticou a declaração de Campos Neto e também viu ameaça à soberania nacional na possibilidade de entregar as reservas internacionais brasileiras a agentes privados e externos.

“Este rapaz [Campos Neto] deveria sair do Banco Central preso por crime lesa pátria! CMN [Conselho Monetário Nacional], Haddad, Lula e Simone [Tebet], já passou da hora de agir! Não tirar Campos Neto imediatamente pode nos trazer danos imensuráveis”, alertou.

Campos Neto é alvo de críticas e protestos das centrais sindicais por manter a taxa básica de juros – a Selic – num patamar estratosférico sem justificativa, diante de um cenário de inflação em queda e economia pouco aquecida. Com a Selic em 13,75% há quase um ano, o Brasil hoje tem os maiores juros reais do mundo, ultrapassando o patamar de 10%.

A representação apresentada pelo MPTCU contra Campos Neto será analisada no processo TC 021.985/2023-5, sob relatoria do ministro Benjamin Zymler.

Com informações de: Correio Braziliense e Valor Econômico

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Veja também: É hora de agir! Pela saída de Roberto Campos Neto do Banco Central

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